O Homem Trocado

O Homem Trocado
Imagem criada por IA
    Luis Fernando Veríssimo foi um cronista desses que marcam um tempo. Viveu e escreveu no Brasil contemporâneo. Seu personagem, o Analista de Bagé, virou livro com ilustrações e suas Comédias da Vida Privada viraram programa de TV na Globo. Veríssimo foi um dos mais populares escritores brasileiros contemporâneos e é sempre lembrado também por ser filho do consagrado escritor gaúcho Érico Veríssimo.

    O estilo literário do Veríssimo filho sempre me soou nos ouvidos como uma coisa erudita, profunda e de uma inteligência esperta e brilhante. De suas crônicas na ZH impressa, passando pelos livros nas bibliotecas e nos sebos e aos achados na internet, descobrindo cada vez mais seus textos, percebi que ele fez comigo o que poucos escritores conseguiram: fazer eu rir sozinho e fazer eu rir de mim mesmo.

    Lendo as seguintes palavas sindo uma sensação de familiaridade com alguns eventos e seguido me vejo como um "homem trocado". Segue o escrito pelo autor:

A História do Brasil para quem tem pressa

Darcy Ribeiro no programa roda viva
entrevista histórica no programa "Roda Viva"

    Darcy Ribeiro sempre me vem a cabeça quando estou planejando e preparando minhas aulas. Darcy estudou, deu aula, escreveu e dedicou a vida a uma atuação política históricamente comprometida com o progresso. Teorizou muito sobre o Brasil, seu povo e nosso futuro. Pensou e agiu em nome da educação.


    Era um Antropólogo de linguagem simples, veja esse texto que encontrei entre os livros da escola onde ele explica o conceito de:

" Além dos seres vivos e da matéria cósmica, existem também coisas culturais, muitíssimo mais complicadas. Chama-se cultura tudo o que é feito pelos homens, ou resulta do trabalho deles e de seus pensamentos. Por exemplo, uma cadeira está na cara que é cultural porque foi feita por alguém. Mesmo o banquinho mais vagabundo, que mal se põe em pé, é uma coisa cultural. É cultura, também, porque feita pelos homens, uma galinha. Sem a intervenção humana, que criou os bichos domésticos, as galinhas, as vacas, os porcos, os cabritos, as cabras, não existiriam. Só haveria animais selvagens.

A minhoca criada para produzir humo é cultural, eu compreendo. Mas a lombriga que você tem na barriga é apenas um ser biológico. Ou será ela também um ser cultural? Cultural não é, porque ninguém cria lombrigas. Elas é que se criam e se reproduzem nas suas tripas.

Uma casa qualquer, ainda que material, é claramente um produto cultural, porque é feita pelos homens. A mesma coisa pode-se dizer de um prato de sopa, de um picolé ou de um diário. Mas estas são coisas de cultura material, que se pode ver, medir, pesar.

Há, também, para complicar, as coisas da cultura imaterial, impropriamente chamadas de espiritual - muitíssimo mais complicadas. A fala, por exemplo, que se revela quando a gente conversa, e que existe independentemente de qualquer boca falante, é criação cultural. Aliás, a mais importante. Sem a fala, os homens seriam uns macacos, porque não poderiam se entender uns com os outros, para acumular conhecimentos e mudar o mundo como temos mudado.

A fala está aí, onde existe gente, para qualquer um aprender. Aprende-se, geralmente, a da mãe. Se ela é uma índia, aprende-se a falar a fala dos índios, dos xavantes, por exemplo. Se ela é uma carioca, professora, moradora da Tijuca, a gente aprende aquele português lá dos tijucanos. Mas se você trocar a filhinha da índia pela filha da professora, e criar, bem ali na praça Saens Peña, ela vai crescer como uma menina qualquer, tijucana, dali mesmo. E vice-versa, o mesmo ocorre se a filha da professora for levada para a tribo xavante: ela vai crescer lá, como uma xavantinha perfeita - falando a língua dos xavantes e xavanteando muito bem, sem nem saber que há tijucanos.

Além da fala, temos as crenças, as artes, que são criações culturais, porque inventadas pelos homens e transmitidas uns aos outros através de gerações. Elas se tornam visíveis, se manifestam, através de criações artísticas, ou de ritos e práticas - o batizado, o casamento, a missa -, em que a gente vê os conceitos e as idéias religiosas ou artísticas se realizarem. Essa separação de coisas cósmicas, coisas vivas, coisas culturais, ajuda a gente de alguma forma? Sei não. Se não ajuda, diverte. É melhor que decorar um dicionário, ou aprender datas. Você não acha?"

Machado de Assis: do morro para o mundo!

    Esse ilustre amante da arte do xadrez, que só é lembrado por isso por quem também conhece a ciência do tabuleiro, foi quem me revelou que:

 “A ausência diminui as paixões medíocres e aumenta as grandes, como o vento apaga as velas e atiça as fogueiras”

provável última foto de Machado de Assis
provável última foto

    Joaquim Maria Machado de Assis, nasceu na capital brasileira, o Rio de Janeiro, em 21 de junho de 1839. Filho do pintor Francisco José de Assis e da açoriana Maria Leopoldina Machado de Assis. Criado no Morro do Livramento, perdeu sua mãe muito cedo.

    Machado de Assis foi um pouco de tudo: operário de gráfica, vendedor de livros, revisor em editoras, tradutor, contista, cronista, romancista, folhetista e poeta. Fez carreira como jornalista e como funcionário público, como meio de sobrevivência.

    Iniciou-se na literatura publicando seu soneto “Allma Sra D.P.J.A.” quando tinha 15 anos incompletos, num periódico intitulado “Periódico dos Pobres”, em 03 de outubro de 1854. Em 1856 trabalhou na Imprensa Nacional, onde conheceu Manuel Antônio de Almeida, o qual tornou-se seu protetor. Em 1858 trabalhou no Correio Mercantil, como revisor  e em 1860, passou a trabalhar no Diário do Rio de Janeiro. Em 1861 publicou seu primeiro livro, uma tradução de “Queda que as mulheres têm pelos homens tolos”. Em 1864 editou seu primeiro livro de poesias, intitulado “Crisálidas”. Em 1857 foi trabalhar no Diário Oficial. Em 1869, casou-se com Carolina Augusta Xavier de Novais, com quem conviveu por 35 anos e cujo matrimônio transcorreu sem que tivessem filhos.

EQUIPAMENTOS PARA O TRABALHO E O PLANEJAMENTO DAS FÉRIAS

Mochilas para as férias

equipamenros fundamentais veja aqui


    Faltando uma semana para o recesso escolar do meio do ano, não me sai da cabeça essa conquista do proletariado, férias: o descanso da rotina. É o que ensino e é exatamente o que sinto.

    Esse período, para mim, não pode ser tempo perdido. Férias são um capítulo à parte na vida, merecem planejamento tanto quanto o trabalho. E como tudo que vale a pena, planejo com cuidado: as leituras que quero fazer, os filmes que quero ver e as atividades físicas que vou retomar.

O que fazer com uma semana (e um pouco mais) de liberdade?

    Tenho uma lista de livros acumulados. Não aqueles que leio por obrigação, mas os que escolhi porque me chamaram. Alguns ficam esperando meses na estante, pacientemente. As férias são a hora deles.

OS MELHORES EQUIPAMENTOS PARA O TRABALHO DIGITAL

    Sabe a sensação de que seu trabalho poderia ser bem mais produtivo, de que o seu cansaço deveria valer mais? Para mim, o trabalho precisa ser feita acima de tudo com boas ferramentas. Por anos, produzi meus textos, ilustrações, criei minhas apresentações de slides e editei meus áudios em um notebook velho, que já não dava mais conta. O som travava, o sistema engasgava e para ser sincero, editar qualquer coisa era um exercício de paciência.

Noteboocks são as melhores ferramentas do trabalho digital
hardware bom e barato

    Meu conteúdo sempre foi sobre ideias, reflexões e histórias. Não gravo vídeos, as vezes tiro umas fotos. Mas meu trabalho é de escrita, ilustração e edição de áudio. E foi exatamente por isso que percebi que precisava de um upgrade. Não de uma máquina para rodar jogos ou editar filmes em 4K, mas de ferramentas que me dessem tranquilidade e qualidade sonora para fazer o que realmente importa.

    Foi aí que decidi investir em dois equipamentos que mudaram completamente minha rotina: um Notebook e um Smartphone. Não os mais caros, mas os que entregam o que realmente importa para o trabalho do dia a dia.

Aprenda Xadrez

O jogo que exercita a mente e a alma.

Brancas jogam e ganham

    O xadrez é um dos jogos mais antigos e fascinantes da humanidade. Atravessou continentes, conquistou reis e generais, e hoje é simplesmente um dos esportes mais praticados do planeta.

    Mas o xadrez não é apenas um jogo. É um exercício de paciência, estratégia e autoconhecimento. Cada partida é uma história. Cada movimento é uma escolha. E cada erro, uma lição.

    Eu aprendi o jogo ainda jovem. Desde então, jogo, incentivo e ensino xadrez. O xadrez me ensinou a pensar antes de agir, a respeitar o adversário e a encontrar beleza na complexidade.

    A alguns anos elaborei essa apresentação de slides para ensinar quem quer aprender, se for o seu caso, confira:


    Aprender as regras é o primeiro passo. O próximo é jogar. E jogar exige prática, paciência e os equipamentos certos.

    Com o tempo, você vai perceber que o xadrez não é apenas um jogo de tabuleiro. É um hábito. E como todo bom hábito, ele merece ferramentas que facilitem a rotina.

    Quando começar a praticar você vai perceber que o xadrez não é só jogo. Com algumas leituras você logo vai descobrir os problemas de xadrez que as vezes atraem mais as pessoas do que o jogo em si.

    Eu sempre reintero que a concentração e a atitude que temos que ter diante de um tabuleiro é a mesma que temos que ter com os livros. O Xadrez também se escreve e se estuda. Recomendo que anote suas partidas e faça análise delas. Cada erro é uma lição. Cada vitória, uma confirmação.

    Estude partidas de mestres é assim que todo mundo evolui, até os proprios campeões que tem que estudar seus antecessores. É muito interessante começar a observar e a entender como pensam Veja como eles pensam, como se movem, como constroem suas estratégias.

VOU TORCER PELA ARGENTINA

Vou torcer pela Argentina

Argentina x Espanha


Final da Copa do Mundo de Futebol de 2026


    Domingo 19 de julho de 2026 é um dia histórico, independente do que aconteça. E o que acontecer será para sempre lembrado. E eu estarei testemunhando, chimarrão na mão, e a alma comprometida com o coração sulista.

    Esta Copa, para mim, sempre terá sempre uma lembrança amarga. Num mundo que se diz civilizado, deveríamos ter adiado ou realocado o torneio. O assassinato do líder espiritual iraniano, no início do ano, foi uma ferida aberta que a FIFA escolheu ignorar. O Irã, que participou da competição, foi tratado com desdém pelos anfitriões. Seleções africanas, torcedores, até árbitros experimentaram, em solo americano, o gosto da indiferença. Mas o circo seguiu. O dinheiro, mais uma vez, falou mais alto.

    Mas enfim, depois de um mês de jogos emocionantes, com 48 seleções participando, essa que foi a maior copa já realizada e que aconteceu pela primeira vez em três países-sede (Estados Unidos, Canadá e México), chega ao seu grande momento. De um lado, a Argentina, atual campeã mundial, que busca o tetracampeonato e o bicampeonato consecutivo. Do outro, a Espanha, que tenta conquistar seu segundo título mundial.

O trabalho que gera renda: Esforço, estratégia e ferramentas certas

Soluções para o trabalho pela internet
conteúdo digital com soluções bem humoradas

    Parafraseando a declaração de independência dos Estados Unidos: Começo considerando como “verdades evidentes por si mesmas”: que a vida humana é feita de trabalho. Que o trabalho define a existência humana,  e que o produto do trabalho depende do uso das ferramentas adequadas que fazem o trabalho render mais com menos esforço.

    Você já parou para pensar os elementos que constituem um trabalho rentável?

    A quantidade de horas dedicadas, o uso das ferramentas adequadas e finalmente o planejamento das intervenções humanas sobre determinada matéria prima, são o motor da história. Dividido socialmente, é o trabalho necessário à produção da subsistência humana o que gera os bens, produtos, mercadorias e a renda que move a sociedade de mercado em que vivemos.

A GUERRA QUE O OCIDENTE QUER ESQUECER

 Você quer saber mais sobre a Segunda Guerra Mundial?

    A maior guerra da história humana é frequentemente reduzida a narrativas simplistas. O cinema americano, a propaganda de guerra e décadas de cinema nos acostumaram a ideia de que a vitória foi garantida pelo "General Inverno" ou pelo poderio industrial dos Aliados. Mas a realidade histórica foi muito mais complexa e brutal.

Cartaz do filme completo em inglês
Cartaz do filme

    O conflito foi, em sua essência, um duelo sangrento entre a União Soviética e o IIIº Reich. Foi no front oriental que a máquina de guerra nazista foi quebrada, ao custo de milhões de vidas de soldados e civis.

    Para entender a verdadeira dimensão dessa luta e como a vitória soviética foi planejada e executada, recomendo fortemente assistir ao documentário "A Batalha da Rússia" (The Battle of Russia, 1943), dirigido por Frank Capra.

    É mais do que um registro histórico: é um excelente estudo de caso sobre propaganda de guerra. Produzido pelo governo americano durante o esforço de guerra, ele foi criado para convencer a população americana da importância de apoiar os soviéticos como aliados, uma virada estratégica e discursiva e tanto!

Xadrez: um Jogo que aprendi de corpo e a alma

Xadrez jogo completo

    
Se tem uma coisa que aprendi nessa vida foi a amar o xadrez. Além ensinar e jogar, já organizei e arbitrei torneios. Tenho muita experiência em carregar tabuleiros para todo lado, porque um bom enxadrista nunca está sem um jogo por perto, seja para uma partida rápida no parque, seja para uma sessão de estudo em casa.

    Tenho vários tabuleiros aqui, cada um com sua história. Mas, com o tempo, percebi que para ensinar e para jogar com seriedade não adianta ter o tabuleiro mais bonito ou as peças mais ornamentadas. O que realmente importa é a praticidade e a justiça do jogo.

    Além da praticidade para o transporte, o tamanho, a facilidade de visualização e a própria experiência tátil da captura de peças e do acionar dos botões do relógio, são critérios que levo em consideração para recomendar:

Um kit de xadrez básico

    Um bom tabuleiro e peças: leves, resistentes e fáceis de guardar e até higienizar se for preciso.

    Um relógio de xadrez: porque o tempo é parte do jogo, como aprendi com meu saudoso mestre, Milton Guimarães.

    “O relógio estabelece a justiça no xadrez.”

    Era assim que ele falava. E ele estava certo. Sem o relógio, a partida pode se arrastar, um jogador pode levar vantagem indevida pensando demais, e a essência do jogo, que é também uma disputa de raciocínio sob pressão. O relógio estabelece o ritmo, a modalidade e o respeito a igualdade de condições para os jogadores.

Pudim fácil com liquidificador e forma

Pudim fácil com liquidificador e forma

Quem nunca tentou fazer um pudim e se decepcionou com furinhos, textura estranha ou aquele desastre na hora de desenformar?

Eu já. Mais vezes do que gostaria de admitir.

O pudim parece simples, mas tem seus segredos. E o maior deles não está na receita, está nas ferramentas que você usa. Um pudim bem feito exige três aliados indispensáveis: um liquidificador potente, uma forma adequada e um sistema de banho-maria que funcione.

Hoje vou compartilhar minhas receitas favoritas desse saboroso prato frio. E de quebra, vou indicar os equipamentos que vão garantir que seu pudim saia perfeito todas as vezes que quiser colocar essa receita em prática:

Receita: Pudim Fácil de Liquidificador

Ingredientes

Para o pudim:

3 ovos

1 caixinha de leite condensado (395 g)

A mesma medida da caixinha de leite integral

1 colher (chá) de essência de baunilha (opcional)

Para a calda:

1 xícara (chá) de açúcar

1/2 xícara (chá) de água

Modo de Preparo (com as ferramentas certas)

História e dicas contretas para preparar uma TORRADA

forma redonda 36cm
antes
    Hoje fiz uma receita simples aqui em casa. Tão simples que não precisa nem de receita para recomendar. É algo que a humanidade vem desenvolvendo ao londo de toda sua trajetória nesse planeta. E nos breves momentos entre uma fornada e outra, tive tempo para tirar umas fotos e refletir em como um alimento tão cotidiano carrega consigo uma história tão monumental. Aqueles pedaços de pão, que honestamente era o que tinha sobrado, acabou transformando-se não apenas num lanche rápido mas no resultado de mudanças que moldaram a própria civilização humana.

    Enquanto preparava mais um café para acompanhar o prato principal, não parava de pensar na história que começou há cerca de 10.000 anos, no Crescente Fértil, em histórias que me delicio de contar, quando falo dos nossos ancestrais, ainda caçadores-coletores, que começaram a domesticar gramíneas selvagens, entre as quais selecionaram o trigo, para ser adaptado e usado das mais criativas maneiras.

    O trigo atual, o que consumimos hoje em pães e torradas, é praticamente uma criação humana. As variedades modernas de trigo só existem por conta da seleção artificial que fizemos ao longo de milênios. Se o homem desaparecesse amanhã, essas plantas não sobreviveriam sem nossos cuidados.

QUEM INVENTOU O TRABALHO?

cena clássida do filme "tempos modernos"
cena do clássico "tempos modernos"

    Quem inventou o trabalho não tinha nada para fazer” dizia resignado o camponês enquanto pegava sua enxada e dirigia-se, sob um sol ardente, para sua lida na roça. Paralelamente a isso, o professor liga seu computador e inicia contrariado a elaboração de um texto avaliativo para aplicar a sua classe. Estamos falando de dois tipos distintos de trabalho: o trabalho físico e o trabalho intelectual, ambos complementares e indispensáveis para a existência humana. Em suas múltiplas facetas o trabalho é uma necessidade.

    É inconcebível que a humanidade possa existir sem trabalho. O trabalho criou e reproduz com sofisticações a cultura nossa de cada dia. Compreender o trabalho é pré-requisito para compreender a própria personalidade humana. Mas ao longo da história, homens e mulheres lutaram por tanto tempo contra formas de trabalho compulsório que chegou a se perder a noção de que se não trabalharmos não poderíamos nem existir enquanto homens e mulheres.

    Historicamente avanços técnicos e tecnológicos foram responsáveis por processos amplos de mudança nos sistemas de produção e afetaram a estruturação das sociedades e consequentemente a forma de vida das pessoas. Dois exemplos contundentes dessa afirmação são justamente a revolução agrícola, responsável pelo início da sedentarização humana e as revoluções industriais que modificaram tanto as formas de trabalho quanto as relações sociais.

"A Hora da Estrela"

 Um clássico de Clarisse Lispector

"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens."

    No primeiro trimestre desse ano letivo de 2026 trabalhei um projeto interdisciplinar com a área das linguagens sobre pessoas invisibilizadas e essa temática complexa está presente na narrativa desse livro escrito para quem gosta de escrever e que faz todo mundo refletir.

    Você já sentiu que, em algum momento da vida, tudo o que você precisa é ser visto? É exatamente disso que trata "A Hora da Estrela", o último romance de Clarice Lispector, publicado em 1977, pouco antes de sua morte. Mais do que um livro, é um testamento literário.

    O livro tem um narrador protagonista que parece ser o alterego da escritora. Ele nos apresenta Macabéa, uma jovem nordestina de 19 anos, órfã, feia, tímida e virgem. Migrante no Rio de Janeiro, ela vive uma existência quase invisível: trabalha como datilógrafa, vejam só, fez um curso como eu e muitos outros e dedicou-se a uma atividade praticamente em extinção.

A revolução constitucionalista.

 09 de Julho, 1932, São Paulo.

propaganda revolucionária paulista de 1932.

    Dois anos após Getúlio Vargas assumir a liderança do país, pondo um ponto final na Primeira República, seu governo teve que enfrentar a oposição numa guerra que tinha como bandeira o retorno à normalidade constitucional. Para vencer o confronto, estratégias militares e propaganda foram planejadas e postas em prática pelos dois lados do conflito.

    O Governo Provisório se empenhou muito nas rádios cariocas e nos panfletos lançados por aviões sobre São Paulo que internamente fez a lição de casa. Na capital paulista, foi criada a Comissão de Propaganda Cívica, que procurou arregimentar artistas dispostos a colaborar com a causa e que deixaram uma variedade de imagens, usadas inclusive em produtos comercializados associados a “revolução”: cartazes, cartões postais, panfletos ilustrados, alegorias, mapas decorados e selos de correspondência, entre tantos outros que tiveram ampla circulação no estado. De fato, a propaganda constitucionalista valeu-se de um conjunto diversificado de imagens para viabilizar e fortalecer o levante.

    O Estado de São Paulo preparou-se para a guerra com armas modernas e eficientes. Importou equipamentos europeus e ensaiou uma produção industrial própria. O levante de 1932 foi precedido por um clima de tensão crescente. O estopim foi o assassinato de quatro jovens durante um protesto em 23 de maio. As iniciais de seus nomes: Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, o MMDC, tornaram-se o símbolo do movimento que exigia a convocação de uma Assembleia Constituinte. A partir dali, a conspiração se intensificou e na madrugada de 9 de julho, o movimento armado foi deflagrado com a expectativa de que outros estados se juntassem à causa.

A UBERIZAÇÃO DOS TRABALHADORES EM EDUCAÇÃO:

UMA CRÍTICA NECESSÁRIA.


imagen pixabay: precarização do trabalho docente
   Nos últimos anos, o conceito de "uberização" tornou-se amplamente utilizado para descrever a precarização e flexibilização das relações de trabalho, valendo-se das tecnologias digitais para conectar trabalhadores a consumidores de forma direta. Essa tendência, inicialmente visível em setores como o de transporte e delivery, tem se expandido para outras áreas, incluindo a educação. A "uberização" dos profissionais de educação traz à tona uma série de implicações preocupantes e que merecem uma crítica aprofundada.

    Um dos aspectos mais alarmantes da uberização na educação é a precarização das condições de trabalho dos docentes. Com a promessa de "autonomia" e "flexibilidade", muitos educadores passam a atuar como freelancers, oferecendo aulas particulares ou conteúdo educacional por meio de plataformas digitais. Apesar de, em teoria, isso permitir maior controle sobre seus horários, na prática, resulta em instabilidade financeira e falta de benefícios trabalhistas, como férias remuneradas, seguro de saúde e aposentadoria.

    Outro ponto crítico é o aumento da desigualdade no acesso à educação de qualidade. Quando a educação se transforma em um serviço "on-demand", acessível principalmente para aqueles que podem pagá-la, há um risco exacerbado de que a desigualdade social se reflita diretamente no aprendizado dos alunos. As plataformas digitais, ao priorizarem o lucro, tendem a favorecer soluções educacionais que possam ser vendidas em larga escala, muitas vezes em detrimento da qualidade e personalização do ensino.

Trilhos e trens na história do Brasil.

A primeira locomotiva do Brasil
"baronesa" a primeira locomotiva do Brasil

    A trajetória das ferrovias no Brasil teve início em 1854, impulsionada pelo pioneirismo do Barão de Mauá e com o aval do imperador Dom Pedro II. Inspirados nos modelos europeus, as locomotivas a vapor desafiaram serras e vales para integrar o território, encurtando distâncias que antes pareciam intransponíveis. Esse modal foi fundamental para escoar a produção cafeeira rumo aos portos e transformou profundamente o cotidiano de vilarejos e capitais, que passaram a se organizar ao redor do apito das locomotivas. 

Trilhos e trens na hitória do Brasil
maior trem cargueiro do Brasil
   Até meados do século XX,  a malha ferroviária viveu seu apogeu. Contudo, a partir dos anos 1960, automóveis e caminhões passaram a dominar o cenário nacional. Essa transição priorizou o transporte de cargas em prejuízo do movimento de passageiros,  resultando no abandono de quase 7 mil km de trilhos, uma escolha oposta à de continentes como a Europa e a Ásia, que continuaram a ampliar e modernizar suas malhas. A China, por exemplo, tem mais de 150 mil km de ferrovias e a Alemanha, cerca de 40 mil km, em território muito menor que o brasileiro.

    O antigo símbolo de desenvolvimento e integração acabou se fragmentando. Atualmente, parte do que restou das linhas históricas funciona como atração de turismo de alto custo, a exemplo da Maria Fumaça em São Paulo e da Serra Verde Express no Paraná. Essas rotas oferecem uma imersão nostálgica e pitoresca voltada apenas a uma parcela seleta da população que pode pagar por esse privilégio.

Uma introdução a história da África


    Atualmente o ensino de História no Brasil passa por um amplo processo de reformulação, que inclui aspectos essenciais como o conteúdo, metodologias, teorias e a própria formação de professores. Com certeza do ponto de vista das ciências, a História é uma disciplina muito dinâmica que caracteriza-se por uma constante atualização com inclusão de novos saberes e conhecimentos adquiridos pelas pesquisas mais recentes ocorridas no transcorrer do tempo e não é de hoje que os professores, como eu, em sala de aula veem-se na posição de ter que ensinar aquilo que não aprenderam em sua instrução acadêmica. Mas para além dessa peculiaridade prática que afeta o exercício da profissão de professor de história, as atuais mudanças ocorrem dentro de um processo mais amplo de reformulação da educação brasileira como um todo. Iniciada com a aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) em 1996, essa trajetória passou pela adoção das concepções genéricas de habilidades e competências em substituição aos antigos conteúdos que compunham os tradicionais programas vestibulares e continuam figurando nos sumários dos livros didáticos. Esse mesmo processo de mudanças criou o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e o transformou em instrumento de seleção e aprovação para o ingresso na educação superior. Por fim dentro dessa nova organização da educação, chegamos a aprovação (entre outras) da lei 10.639/2003 que inclui nos currículos escolares a obrigatoriedade do ensino da história e da cultura afro-brasileira.

Viva a República revolucionária da Améirca: o dia em que nasceu os Estados Unidos.

Mapa das colônia britânicas onde tudo começou.

    O processo de independência das 13 colônias inglesas da América do norte constituiu-se numa verdadeira revolução ao dar origem a um sistema de governo inédito na história e que influenciou a evolução política de outros países pelo mundo, pré-inaugurando, por assim dizer, os tempos contemporâneos. Alguns desses acontecimentos ligados ao início dos Estados Unidos da América Independentes, ocupam um lugar especial na História Geral da humanidade.

    Para tratar bem desse assunto devemos começar pelos antecedentes da colonização britânica na América que apresentou algumas características destacadamente diferentes dos demais processos coloniais implantados nesse novo mundo pelos europeus. A colonização britânica se destacou pela ação decisiva de uma migração de refugiados religiosos que negavam-se a seguir; ou a Igreja Anglicana ou o parlamento inglês ou ambos e por esse motivo eram desfavorecidos, senão discriminados pelo estado. Dessa maneira grande parte dessa população não alinhada com a Igreja estatal inglesa acabou vindo para a América para construir uma nova vida. Eram regugiados ingleses, escoceses, irlandeses, desdendentes de holandeses e até dinamarqueses, que já traziam em seu íntimo muito sentimento de rompimento com os poderes europeus.

    A atitude contra o domínio da coroa britânica levou os colonos a uma desobediência sistemática ao fundamento do antigo sistema colonial, o monopólio comercial, aplicado com rigor no restante da América pelas outras monarquias colonizadoras. O monopólio comercial determinava que somente navios de bandeira da metrópole colonizadora poderiam atracar nos portos do “novo mundo” para realizar o comércio externo. Os colonos norte-americanos contrariando os atos de navegação (leis inglesas que regulamentavam o monopólio comercial inglês) dedicaram-se, desde o início de sua colonização, ao contrabando com outras colônias da América, fazendo também comércio na África e na Europa, da mesma maneira que recebiam sem pudor em seus portos navios e navegadores de outras partes do mundo (especialmente da Holanda), chegando a abrigar em seus territórios, piratas que pilhavam os navios espanhóis no Caribe.

Graciliano Ramos e a arides no nordeste brasileiro

 

Personagem Baleia, retratada em filme

   Graciliano Ramos de Oliveira nasceu em 1892, em Quebrangulo, Alagoas, e foi um dos maiores escritores da literatura brasileira, marcando a segunda fase do modernismo com sua prosa seca, direta e profundamente crítica . Diferente de outros autores que buscavam inovações formais, Graciliano focou sua narrativa, na precisão psicológica e na denúncia social, retratando a realidade do sertão nordestino a partir de sua própria vivência no interior alagoano e suas passagens como prefeito, jornalista e preso político durante o Estado Novo.

    Sua obra, que inclui clássicos como "São Bernardo", "Angústia" e as memórias do cárcere, revela uma inquietação constante com as estruturas opressivas da sociedade e a condição humana. Foi justamente essa preocupação que o levou a escrever o romance que se tornaria seu maior legado: "Vidas Secas", publicado em 1938 . A obra é um marco do regionalismo, pois vai além da paisagem árida para expor a miséria e a luta desesperada de uma família de retirantes contra a seca e a injustiça social.

    "Vidas Secas" não é apenas um livro sobre o Nordeste, é um retrato emocionante e cruelmente verdadeiro sobre o Brasil e suas desigualdades. O romance, estruturado em treze capítulos que podem ser lidos como contos independentes, acompanha Fabiano, Sinhá Vitória, os dois filhos sem nome e a cadela Baleia em sua peregrinação silenciosa. A falta de comunicação, a animalização das personagens e o ciclo vicioso de fuga e espera pela chuva são narrados com uma economia de palavras que ecoa a própria aridez do sertão. É um livro de uma atualidade perturbadora, que nos convida a refletir sobre a condição humana e a persistência da pobreza.