Eleições 2026: Guia completo com os 13 candidatos à Presidência e as desigualdades do nosso sistema eleitoral

urna eletrônica

    
De 4 em 4 anos no Brasil temos COPA do Mundo de Futebol e Eleições. Nem sempre foi assim. A Constituição Federal aprovada em 1988 foi o marco inicial do atual e mais longo período democrático da história do Brasil. A Constituição de 1988 criou o segundo turno e normatizou a regularidade das eleições brasileiras. No percurso, a criação da reeleição por Emenda Constitucional, consagrou, com os novos partidos políticos pós ditadura, o sistema eleitoral brasileiro.

 

    E chegamos  em 2026 para mais uma edição histórica das eleições brasileiras. É a cidadania que estudamos como algo formal, legal e historicamente constituído que temos agora na prática. Como cidadãos acima de tudo, temos  compromisso em participar e compreendermos não apenas quem está concorrendo, mas como o sistema eleitoral funciona e inclusive as profundas desigualdades que marcam essa disputa.


    Para começar vou apresentar todos os 13 candidatos registrados ao cargo de Presidente da República, seus partidos, números de urna e uma análise crítica sobre as assimetrias que definem quem tem mais chances de ser ouvido pelo eleitorado. Atualmente a votação eletrônica não exibe a lista completa dos candidatos como acontecia nas votações com cédulas e na prática poucos eleitores vão conhecer essa lista completa.

 

Os 13 Candidatos à Presidência em 2026

 

    Segundo dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atualizados em 28 de agosto de 2026, o Brasil conta com 13 candidatos registrados para disputar a Presidência da República. 

 

CandidatoPartidoSiglaSituação
13Luiz Inácio Lula da SilvaPartido dos TrabalhadoresPTConcorrendo - Aguardando julgamento
22Flávio BolsonaroPartido LiberalPLConcorrendo - Aguardando julgamento
55Ronaldo CaiadoPartido Social DemocráticoPSDConcorrendo - Deferido
30Romeu ZemaPartido NovoNOVOConcorrendo - Aguardando julgamento
28Pablo MarçalPartido Renovador Trabalhista BrasileiroPRTBConcorrendo - Aguardando julgamento
70Augusto CuryAvanteAVANTEConcorrendo - Aguardando julgamento
27Clariana BarãoDemocracia CristãDCConcorrendo - Aguardando julgamento
21Edmilson CostaPartido Comunista BrasileiroPCBConcorrendo - Aguardando julgamento
16Hertz DiasPartido Socialista dos Trabalhadores UnificadoPSTUConcorrendo - Aguardando julgamento
14Renan SantosMISSÃOMISSÃOConcorrendo - Aguardando julgamento
80SamaraUnidade PopularUPConcorrendo - Aguardando julgamento
29Rui Costa PimentaPartido da Causa OperáriaPCOConcorrendo - Deferido
35Wilson GrassiDemocrataDEMOCRATAConcorrendo - Aguardando julgamento
⚠️ Importante: A situação "Aguardando julgamento" significa que a Justiça Eleitoral ainda não decidiu definitivamente sobre a elegibilidade desses candidatos. Apenas Ronaldo Caiado (PSD) e Rui Costa Pimenta (PCO) têm situação "Deferida" até o momento.

Breve Perfil dos Candidatos

 

  • Luiz Inácio Lula da Silva (PT - 13): Ex-presidente da República e líder histórico da esquerda brasileira. O PT possui ampla estrutura nacional e histórico consolidados.

  • Flávio Bolsonaro (PL - 22): Senador, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, representante da direita conservadora pelo partido com a maior bancada da Câmara dos Deputados.

  • Ronaldo Caiado (PSD - 55): Governador de Goiás e médico, representa o agronegócio e a centro-direita em uma das legendas que mais cresceram na última década.

  • Romeu Zema (NOVO - 30): Governador de Minas Gerais e empresário, representante do liberalismo econômico com foco na redução da máquina estatal.

  • Pablo Marçal (PRTB - 28): Empresário e influenciador digital, atua como figura antissistema e lidera em patrimônio médio declarado por candidato.

  • Augusto Cury (AVANTE - 70): Psiquiatra e escritor best-seller, faz sua estreia na política disputando o Executivo por uma legenda em consolidação.

  • Clariana Barão (DC - 27): Representante do partido de centro centrado na Democracia Cristã.

  • Edmilson Costa (PCB - 21): Economista e dirigente histórico do partido mais antigo do país (fundado em 1922).

  • Hertz Dias (PSTU - 16): Professor e militante da esquerda radical trotskista e dos movimentos sociais.

  • Renan Santos (MISSÃO - 14): Presidente nacional de uma nova legenda partidária em processo de consolidação no país.

  • Samara (UP - 80): Ativista e representante da esquerda socialista em um dos partidos mais jovens do Brasil (fundado em 2019).

  • Rui Costa Pimenta (PCO - 29): Jornalista e candidato habitual em pleitos presidenciais, liderando a legenda de vertente operária.

  • Wilson Grassi (DEMOCRATA - 35): Médico veterinário representante de legenda menor com presença em nichos regionais.

A desigualdade estrutural: Nem todos começam do mesmo Lugar

 

    Uma das lições mais importantes que podemos tirar deste processo eleitoral é que a democracia formal nem sempre garante igualdade de condições na prática. O sistema favorece desproporcionalmente alguns concorrentes:


1. Distribuição do Fundo Eleitoral

 

    O financiamento público via Fundo Eleitoral é distribuído com base no desempenho nas eleições anteriores e no tamanho da bancada no Congresso Nacional. Partidos como PL (22), PT (13) e PSD (55) recebem a maior fatia do bolo, enquanto legendas menores como PCO (29), PSTU (16) e UP (80) trabalham com recursos mínimos.


2. Tempo de Propaganda no Rádio e na TV

 

    O tempo de tela no horário eleitoral gratuito é diretamente proporcional à representação de deputados federais. Siglas maiores acumulam horas de exposição, enquanto pequenos partidos têm seus momentos reduzidos a segundos, forçando candidatos alternativos a focar no trabalho em redes sociais.


3. Acesso aos debates

 

    Os grandes debates de imprensa costumam convidar apenas candidatos de partidos com representação parlamentar mínima garantida por lei ou destaque nas pesquisas. Isso deixa nomes do PCB, PSTU, UP, MISSÃO, PCO e DEMOCRATA frequentemente de fora das transmissões de grande audiência.


4. Infraestrutura e presença territorial

 

    Enquanto os grandes partidos possuem comitês, milhares de filiados e consultorias profissionais pagas em todas as unidades da federação, pequenos partidos funcionam essencialmente na base do trabalho voluntário e militante.


Análise Histórica: Por Que Isso Importa?

 

    Como professores e leitores de História, é nosso dever refletir sobre como o sistema eleitoral brasileiro se transformou nas últimas décadas:


  1. Redemocratização (1980): O surgimento do atual multipartidarismo.

  2. Criação da reeleição presidencial (1990-2000): o "presidencialismo de coalizão" brasileiro.

  3. Polarização Contemporânea (2020s): A concentração do capital político em torno de grandes blocos, a emergência de discursos antissistema e o desafio do crescimento das legendas menores perante a cláusula de barreira.

Como exercer a cidadania conscientemente?

 

  • Pesquise além da internet: Converse com pessoas. Conheça os candidatos pessoalmente.

  • Verifique fontes: Combata a desinformação utilizando ferramentas como o "Fato ou Boato" do TSE.

  • Analise os partidos: Avalie não apenas a figura do candidato, mas o histórico de votação da legenda no Congresso Nacional.

  • Participe de espaços coletivos de debate: considere um dia ser candidato, você vai precisar de um partido, considere filiar-se a um partido, filie-se a um partido ou tenha uma ideologia definida para chamar de sua.
     


Datas Importantes das Eleições 2026

 

  • 15 de Agosto: Prazo final para registro de candidaturas no TSE

  • 16 de Agosto: Início da propaganda eleitoral na internet e realização de comícios

  • 28 de Agosto: Início do horário eleitoral gratuito no rádio e na TV

  • 04 de Outubro: Primeiro Turno das Eleições

  • 25 de Outubro: Segundo Turno (caso nenhum candidato alcance a maioria absoluta dos votos válidos no primeiro turno)

Dicas finais do professor:


    Nesta eleição além de presidente com os quais votamos com o número da dezena do partido para presidente, elegeremos também 2 senadores por estado, com os quais votamos através de uma centena composta pelos dois números iniciais do partido, mais um a gosto do candidato e votamos também em deputados federais e estaduais, além dos governadores. Essas eleições do legislativo são tão importantes ou mais do que as presidenciais. Se precisar leve colinha com os números para votar, mas não deixe de exercer esse ato cidadão.

 

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