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| Obra de Salvador Dali |
Partindo da ideia de que a História é a ciência que estuda o ser humano ao longo do tempo, o ponto de partida dos estudos históricos é a investigação sobre as origens dos seres humanos. Aqui uma especificidade das ciências humanas como a História: nosso objeto de estudo somos nós mesmos. O objeto da história é o mesmo sujeito que estuda e faz a história. Isso dá a História um caráter de autoconhecimento, pois estudando a história conhecemos melhor a nós mesmos. Com isso em mente, costumo afirmar seguidamente que se somos o que somos e estamos aqui fazendo o que estamos fazendo é porque temos história. Se nossa história fosse diferente da que foi, não seríamos os mesmos que somos e provavelmente não estaríamos onde estamos fazendo o que estamos fazendo.
A existência dos humanos é bem recente se levarmos em conta o tempo total de existência da atmosfera planetária que nos cobre. Os vestígios mais remotos que comprovam a presença humana no planeta terra são escassos fragmentos de ossos, agora fossilizados, deixados para trás, de maneira não intencional, por nossos mais remotos antepassados. Não são ossadas devidamente sepultadas, já que esse hábito demorou para nascer como a própria humanidade. Alguns desses restos são sobras de organismos devorados por outros animais predadores que deixaram as evidentes marcas de suas presas em ossos triturados que agora são analisados por especialistas que, entre outras capacidades interpretativas, sabem identificar a diferença de um osso masculino de um feminino.
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| Lucy (fóssil) |
Os pedaços de Lucy compõe a coleção de fósseis mais antigos que são conhecidos, de um mamífero com potencialidades bípedes. Lucy era feminina, já tinha tido pelo menos um filho e morreu devido a uma queda de uma altura considerável, aproximadamente pelos 11 anos de idade.
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| ciência/quebra-cabeça |
Assim como os ossos de Lucy muitos outros foram e continuam sendo encontrados no continente africano, de onde se conclui, os seres humanos tiveram sua origem entre espécies animais que viviam nessa região. A análise dos fragmentos fósseis descobertos ainda revelaram que esses primeiros antepassados humanos eram diferentes dos humanos atuais, tanto fisicamente quanto comportamentalmente. Por exemplo, esses seres possuíam uma menor estatura. Eram mais baixinhos (Lucy tinha 1 metro e 10 centímetros). Por outro lado possuíam um maxilar e uma arcada dentária mais avantajada e robusta das que possuímos hoje, provavelmente relacionada ao comportamento alimentar que baseava-se em alimentos não cozidos, incluídos ai a carne que entrou para nosso cardápios provavelmente em forma de carniça. Análises nos dentes dão indícios dos hábitos alimentares desses indivíduos. Tinham uma expectativa de vida bem menor e da mesma forma reproduziam em uma idade bem mais precoce que hoje. A gestação e o parto também deixam marcas indeléveis nos ossos das mulheres que aos seis ou sete anos de vida já eram mães.
Resumidamente, os primeiros humanos surgiram de animais que viveram na África. Dentro desse cenário uma proposta adotada para localizar no tempo o início da história, é identificar o momento em que a vida humana passou a se distinguir do modo de vida animal. O primeiro passo nesse sentido foi o momento em que os hominídeos passaram a utilizar suas mãos para criar instrumentos. Assim surgiu o homem, como animal que fabrica instrumentos, usando e desenvolvendo sua habilidade manual para criar utensílios adaptados, modificados e sofisticados cada vez mais para o uso como meio de transformação da natureza.
Os instrumentos de pedras, encontrados até hoje por todos os continentes, foram criados por mãos que as prensavam e batiam umas contra as outras, intencionalmente com o objetivo de produzirem pontas ou bordas afiadas o suficiente para serem utilizadas para manipular outros elementos da natureza como plantas, madeira, ossos e carne de outros animais. Esses instrumentos revelam a forma primitiva da existência humana e foram o primeiro trunfo na nossa evolução. Pedras lascadas tornaram os homens caçadores no principal predador das florestas e savanas e talvez a mais avançada forma de vida do planeta.
O domínio do fogo foi outra realização de suma importância no processo de humanização. Assim como a fabricação de ferramentas, a utilização do fogo representou um forma de tecnologia que diferenciou definitivamente a experiência humana das demais formas de vida do mundo que habitamos.
Na sequência de criações humanas, possibilitadas pela habilidade manual, destaco a invenção dos sepultamentos, que facilitou encontrar não só ossos, mas utensílios, adornos, roupas e muito material artesanal que nos dão pistas dos primeiros seres humanos que andaram pela terra.
Por fim a invenção do vestuário e o desenvolvimento da linguagem falada completaram uma série de invenções que em seu conjunto constituem o que chamamos de cultura. A criação da cultura, diferenciou o modo de vida dos homens da vida animal (da mesma maneira que diferenciou o modo de vida dos grupos humanos entre si). Portanto podemos identificar o início da história com a criação da cultura. Cultura em sentido amplo é todo o ambiente externo ao homem, criado ou modificado por ele. A cultura é o conjunto de criações humanas que nos distingue das formas de vida animal. Interessante notar que a cultura não nasce conosco, é algo criado socialmente, aprendido individualmente e transmitido de geração em geração no convívio social. Pois ainda que as formas de cultura mudem em tempos diferentes em locais diferentes, não muda o fato de que os homens vivem e existem em grupos, em sociedade, desde os primórdios até hoje em dia.
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