AS CULTURAS PALEOLÍTICAS

    Por vezes a palavra cultura é utilizada coloquialmente no sentido de cultura erudita quando, por exemplo, qualificamos alguém como culto ou dizemos que alguém tem muita cultura. Na verdade estamos valorizando apenas um aspecto da cultura advinda do estudo, da leitura e da informação.

    No entanto, cultura é bem mais que isso. Em sentido amplo, cultura é todo o ambiente externo ao homem, criado ou modificado por ele. Então mesmo que uma pessoa não tenha nenhum grau de escolarização, por viver em sociedade, a rigor essa pessoa possui cultura. Se usa roupas, usa uma linguagem e come com talheres, tem cultura. Cultura é o conjunto das criações humanas, fruto de nossa capacidade de transformar a natureza: o trabalho. Cultura é o somatório de todas as coisas que diferenciam nossa vida da vida animal. Interessante que da mesma maneira que nos diferenciou dos animais, a cultura diferenciou os grupos humanos entre si, já que em lugares diferentes em tempos diferentes, os homens com seu trabalho criaram diferentes culturas.

    Embora fundamental na caracterização da vida humana, a cultura não é inata, não nascemos com ela, aprendemos com a vida em sociedade onde ela é criada, adaptada, aperfeiçoada e transmitida de geração em geração pelas relações humanas.

    Já o termo paleolítico tornou-se clássico em história para definir o primeiro estágio do desenvolvimento cultural da humanidade iniciado com o trabalho de quebrar pedras para fazer ferramentas e realizar outros trabalhos. Esse estágio inicial da história humana foi também o mais longo período da nossa história, perdurando por alguns milhares anos entre os quais avanços tecnológicos e mudanças físicas no corpo humano iam acontecendo muito lentamente.

    Ao período paleolítico, ou idade da pedra lascada, corresponde um tipo específico de sociedade que podemos chamar de sociedade paleolítica ou sociedade primitiva.
A primeira característica que chama atenção dessa sociedade é o número extremamente reduzido de indivíduos que a compunham. Os primeiros humanos viviam em pequenos grupos, também chamadas de hordas, que constituíam basicamente uma família matriarcal que se organizava em torno de uma ancestral comum, uma mãe da qual a maior parte dos indivíduos descendia. Os homens mais primitivos não relacionavam o ato sexual com a reprodução. A gestação era considerada como um poder mágico das mulheres que por terem esse poder de garantir a continuidade da espécie, tinham um tratamento especial nessa sociedade. Ninguém sabia quem era seu pai, nem que precisava de um pai para ser gerado, o que se sabia era quem era a mãe, a quem se reverenciava.

    A caça a pesca e a coleta de alimentos na natureza eram as principais atividades a que se dedicavam essas hordas. Sendo atividades depredatórias, esses grupos não podiam permanecer muito tempo em um local fixo já que esgotavam os recursos naturais que consumiam sem os repor. Por caçarem muitos animais que possuíam comportamento migratório, os homens também migravam atrás da caça e da coleta que garantia a subsistência mas não conferia uma quantidade de alimentos suficientes para abastecer uma população muito grande o que reforçava a necessidade de viver em pequenos grupos. Quando o grupo crescia muito em número de indivíduos, dividiam-se naturalmente e partiam em direções diferentes para viver da caça de maneira nômade.

    Mas não eram todos do grupo que caçavam, apenas os homens e nem todos os homens, apenas os adultos. O sexo e a idade dos indivíduos determinavam seu papel nessa sociedade. Chamamos de divisão natural do trabalho esse tipo de organização.

    Sob essas condições de existência os primeiros humanos conseguiram realizar muitas inovações culturais que marcaram nossa existência: Nesse período foram criados os sepultamentos, foram produzidas as primeiras peças de roupas, iniciou-se a linguagem falada e por fim o mais importante, os homens dominaram o fogo a ponto de produzi-lo artificialmente.

    O controle do fogo que afugentava todos os outros animais, permitiu ao homem produzir a cerâmica, cozinhar o alimento, se esquentar no frio, iluminar a noite e o interior das cavernas que passaram a ser usadas como abrigo na medida em que conseguiram expulsar outros animais de seu interior.

    O domínio do fogo foi tão importante para as culturas humanas, que seu domínio é utilizado como marco divisório do paleolítico em paleolítico inferior (antes do domínio do fogo) e paleolítico superior (após o domínio do fogo). Vestígios de homens do paleolítico inferior são encontrados apenas no continente africano. Empoderados pelo fogo, grupos humanos saíram da África e espalharam-se pelo oriente médio, Europa, Ásia, América e Oceania, onde novas formas de cultura e sociedade puderam desenvolver-se iniciando novos períodos históricos.

 

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