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Quarto de Despejo - Diário de uma favelada

 É tempo de redescobrir o talento de Carolina de Jesus:


Carolina de Jesus

"19 de julho de 1955 - [...] Quando as mulheres feras invade o meu barraco, os meus filhos lhes joga pedras. Elas diz:
- Que crianças mal iducadas!
Eu digo:
- Os meus filhos estão defendendo-me. Vocês são incultas, não pode compreender. Vou escrever um livro referente a favela. Hei de citar tudo que aqui se passa. E tudo que vocês me fazem. Eu quero escrever o livro e vocês com estas cenas desagradáveis me fornece os argumentos.
A Silvia pediu-se para retirar o seu nome do meu livro. Ela disse:
- Você é mesmo uma vagabunda. Dormia no Albergue Noturno. O seu fim era acabar na maloca.
Eu disse:
- Está certo. Quem dorme no Albergue Noturno são os indigentes. Não tem recursos e o fim é mesmo nas malocas, e você, que diz nunca ter dormido no Albergue Noturno, o que veio fazer aqui na maloca? Você era para estar residindo numa casa própria. Porque a sua vida rodou igual a minha?
Ela disse:
- A única coisa que você sabe fazer é catar papel.
Eu disse:
- Cato papel. Estou provando como vivo!... Estou resistindo na favela. Mas se Deus me ajudar hei de mudar daqui [...]

Quem matou Getúlio Vargas?

A verdade sobre a tentativa de Golpe de 1954:

Getúlio Vargas carismático
    Dia 24 de agosto é uma data especial. Sim, tem um monte de gente que faz aniversário nesse dia e só por isso acha que vai ganhar presente. Mas não é disso que quero falar.

    Nesse dia em 1954, a política brasileira superou qualquer final de filme vencedor do Oscar. Foi o dia em que as circunstâncias políticas levaram o então presidente Getúlio Vargas a dar o seu lance mais radical no xadrez do poder e "sair da vida para entrar na História". Neste ano de 2026, a data cai justamente em uma segunda-feira. Sei que tem gente que não gosta do dia mas é um ótimo momento para relembrar esse capítulo decisivo da história brasileira.

    Com o passar dos anos do ocorrido, vemos hoje uma proliferação das teorias da conspiração na internet e uma dúvida teima em flutuar nas conversas (especialmente na ausência de um professor de História): afinal de contas, quem matou Getúlio Vargas?

Machado de Assis: do morro para o mundo!

Machado de Assis

 

    Esse ilustre amante da arte do xadrez, que só é lembrado por isso por quem também conhece a ciência do tabuleiro, foi quem me revelou que:

 “A ausência diminui as paixões medíocres e aumenta as grandes, como o vento apaga as velas e atiça as fogueiras”

    Joaquim Maria Machado de Assis, nasceu na capital brasileira, o Rio de Janeiro, em 21 de junho de 1839. Filho do pintor Francisco José de Assis e da açoriana Maria Leopoldina Machado de Assis. Criado no Morro do Livramento, perdeu sua mãe muito cedo.

    Machado de Assis foi um pouco de tudo: operário de gráfica, vendedor de livros, revisor em editoras, tradutor, contista, cronista, romancista, folhetista e poeta. Fez carreira como jornalista e como funcionário público, como meio de sobrevivência.

    Iniciou-se na literatura publicando seu soneto “Allma Sra D.P.J.A.” quando tinha 15 anos incompletos, num periódico intitulado “Periódico dos Pobres”, em 03 de outubro de 1854. Em 1856 trabalhou na Imprensa Nacional, onde conheceu Manuel Antônio de Almeida, o qual tornou-se seu protetor. Em 1858 trabalhou no Correio Mercantil, como revisor  e em 1860, passou a trabalhar no Diário do Rio de Janeiro. Em 1861 publicou seu primeiro livro, uma tradução de “Queda que as mulheres têm pelos homens tolos”. Em 1864 editou seu primeiro livro de poesias, intitulado “Crisálidas”. Em 1857 foi trabalhar no Diário Oficial. Em 1869, casou-se com Carolina Augusta Xavier de Novais, com quem conviveu por 35 anos e cujo matrimônio transcorreu sem que tivessem filhos.

A História do Brasil para quem tem pressa

Darcy Ribiero
foto ABL

 
    Darcy Ribeiro sempre me vem a cabeça quando estou planejando e preparando minhas aulas. Darcy estudou, deu aula, escreveu e dedicou a vida a uma atuação política históricamente comprometida com o progresso. Teorizou muito sobre o Brasil, seu povo e nosso futuro. Pensou e agiu em nome da educação.

    Era um Antropólogo de linguagem simples, veja esse texto que encontrei entre os livros da escola onde ele explica o conceito de:

" Além dos seres vivos e da matéria cósmica, existem também coisas culturais, muitíssimo mais complicadas. Chama-se cultura tudo o que é feito pelos homens, ou resulta do trabalho deles e de seus pensamentos. Por exemplo, uma cadeira está na cara que é cultural porque foi feita por alguém. Mesmo o banquinho mais vagabundo, que mal se põe em pé, é uma coisa cultural. É cultura, também, porque feita pelos homens, uma galinha. Sem a intervenção humana, que criou os bichos domésticos, as galinhas, as vacas, os porcos, os cabritos, as cabras, não existiriam. Só haveria animais selvagens.

A minhoca criada para produzir humo é cultural, eu compreendo. Mas a lombriga que você tem na barriga é apenas um ser biológico. Ou será ela também um ser cultural? Cultural não é, porque ninguém cria lombrigas. Elas é que se criam e se reproduzem nas suas tripas.

Uma casa qualquer, ainda que material, é claramente um produto cultural, porque é feita pelos homens. A mesma coisa pode-se dizer de um prato de sopa, de um picolé ou de um diário. Mas estas são coisas de cultura material, que se pode ver, medir, pesar.

Há, também, para complicar, as coisas da cultura imaterial, impropriamente chamadas de espiritual - muitíssimo mais complicadas. A fala, por exemplo, que se revela quando a gente conversa, e que existe independentemente de qualquer boca falante, é criação cultural. Aliás, a mais importante. Sem a fala, os homens seriam uns macacos, porque não poderiam se entender uns com os outros, para acumular conhecimentos e mudar o mundo como temos mudado.

A fala está aí, onde existe gente, para qualquer um aprender. Aprende-se, geralmente, a da mãe. Se ela é uma índia, aprende-se a falar a fala dos índios, dos xavantes, por exemplo. Se ela é uma carioca, professora, moradora da Tijuca, a gente aprende aquele português lá dos tijucanos. Mas se você trocar a filhinha da índia pela filha da professora, e criar, bem ali na praça Saens Peña, ela vai crescer como uma menina qualquer, tijucana, dali mesmo. E vice-versa, o mesmo ocorre se a filha da professora for levada para a tribo xavante: ela vai crescer lá, como uma xavantinha perfeita - falando a língua dos xavantes e xavanteando muito bem, sem nem saber que há tijucanos.

Além da fala, temos as crenças, as artes, que são criações culturais, porque inventadas pelos homens e transmitidas uns aos outros através de gerações. Elas se tornam visíveis, se manifestam, através de criações artísticas, ou de ritos e práticas - o batizado, o casamento, a missa -, em que a gente vê os conceitos e as idéias religiosas ou artísticas se realizarem. Essa separação de coisas cósmicas, coisas vivas, coisas culturais, ajuda a gente de alguma forma? Sei não. Se não ajuda, diverte. É melhor que decorar um dicionário, ou aprender datas. Você não acha?"

O Homem Trocado

O Homem Trocado

    Luis Fernando Veríssimo foi um cronista desses que marcam um tempo. Viveu e escreveu no Brasil contemporâneo. Seu personagem, o Analista de Bagé, virou livro com ilustrações, suas Comédias da Vida Privada viraram programa de TV na Globo e o Detetive Ed Mort foi parar no cinema. Veríssimo foi um dos mais populares escritores brasileiros contemporâneos e é sempre lembrado também por ser filho do consagrado escritor gaúcho Érico Veríssimo.

    O estilo literário do Veríssimo filho sempre me soou nos ouvidos como uma coisa erudita, profunda e de uma inteligência esperta e brilhante. De suas crônicas na ZH impressa, passando pelos livros nas bibliotecas e nos sebos e aos achados na internet, descobrindo cada vez mais seus textos, percebi que ele fez comigo o que poucos escritores conseguiram: fazer eu rir sozinho e fazer eu rir de mim mesmo.

    Lendo as seguintes palavras sinto uma sensação de familiaridade com alguns eventos e seguido me vejo como um "homem trocado". Segue o escrito pelo autor:

"A Hora da Estrela"

 Um clássico de Clarisse Lispector

"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens."

    No primeiro trimestre desse ano letivo de 2026 trabalhei um projeto interdisciplinar com a área das linguagens sobre pessoas invisibilizadas e essa temática complexa está presente na narrativa desse livro escrito para quem gosta de escrever e que faz todo mundo refletir.

    Você já sentiu que, em algum momento da vida, tudo o que você precisa é ser visto? É exatamente disso que trata "A Hora da Estrela", o último romance de Clarice Lispector, publicado em 1977, pouco antes de sua morte. Mais do que um livro, é um testamento literário.

    O livro tem um narrador protagonista que parece ser o alterego da escritora. Ele nos apresenta Macabéa, uma jovem nordestina de 19 anos, órfã, feia, tímida e virgem. Migrante no Rio de Janeiro, ela vive uma existência quase invisível: trabalha como datilógrafa, vejam só, fez um curso como eu e muitos outros e dedicou-se a uma atividade praticamente em extinção.

Graciliano Ramos e a arides no nordeste brasileiro

 

Personagem Baleia, retratada em filme

   Graciliano Ramos de Oliveira nasceu em 1892, em Quebrangulo, Alagoas, e foi um dos maiores escritores da literatura brasileira, marcando a segunda fase do modernismo com sua prosa seca, direta e profundamente crítica . Diferente de outros autores que buscavam inovações formais, Graciliano focou sua narrativa, na precisão psicológica e na denúncia social, retratando a realidade do sertão nordestino a partir de sua própria vivência no interior alagoano e suas passagens como prefeito, jornalista e preso político durante o Estado Novo.

    Sua obra, que inclui clássicos como "São Bernardo", "Angústia" e as memórias do cárcere, revela uma inquietação constante com as estruturas opressivas da sociedade e a condição humana. Foi justamente essa preocupação que o levou a escrever o romance que se tornaria seu maior legado: "Vidas Secas", publicado em 1938 . A obra é um marco do regionalismo, pois vai além da paisagem árida para expor a miséria e a luta desesperada de uma família de retirantes contra a seca e a injustiça social.

    "Vidas Secas" não é apenas um livro sobre o Nordeste, é um retrato emocionante e cruelmente verdadeiro sobre o Brasil e suas desigualdades. O romance, estruturado em treze capítulos que podem ser lidos como contos independentes, acompanha Fabiano, Sinhá Vitória, os dois filhos sem nome e a cadela Baleia em sua peregrinação silenciosa. A falta de comunicação, a animalização das personagens e o ciclo vicioso de fuga e espera pela chuva são narrados com uma economia de palavras que ecoa a própria aridez do sertão. É um livro de uma atualidade perturbadora, que nos convida a refletir sobre a condição humana e a persistência da pobreza.

A CIRURGIÃ

 Indicação perfeita de leitura para aproveitar nas Férias.

Livro A cirurgiã

Escrito por Leslie Wolfe e traduzido para o português por Nathália Rondan, este livro é uma leitura prazeroza e essencial para quem busca usar bem seu tempo. Com uma narrativa eletrizante o suspense psicológico totalmente envolvente do livro fará você correr pelas páginas até o final.


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LIÇÕES ANTIGAS E ATUAIS

Capa de edição antiga de Sermões do Padre Antônio Vieira
Capa de edição antiga
No século XVII, um missionário católico lusitano, o Padre António Vieira, proferia reflexões usando e abusando de expressões em latim e temas bíblicos, em falas que lançavam olhares críticos sobre a sociedade de seu tempo, e suas palavras, pasmem, soam com uma atualidade assustadora.

Vieira veio ao Brasil catequizar índios e desenvolveu com eles um olhar diferenciado da história e dos acontecimentos da sua época. E essas reflexões ficaram registradas nos famosos sermões do padre.

Um desses sermões mais corajosos e contundentes é o  "Sermão do Bom Ladrão", escrito em 1655, em que ele usou a história bíblica do crucificado que foi salvo para tecer uma tese teológica e a partir dai estabelecer um princípio de justiça social: 

"Não há salvação sem a restituição do que foi roubado."

O CORVO - seu autor e outras histórias suas


EDGAR ALLAN POE

Imagem de Edgar Alan Poe em daquerreóptico de 1849
Autor em 1849

    Escritor, poeta, contista e ensaísta nascido em Boston (1809) e morto em Baltimore (1849), apontado como o criador de vários gêneros literários modernos como mistério, suspense e terror. Uma personalidade atormentada por tragédias pessoais que ajudaram a moldar uma extensa e as vezes perturbadora obra literária.

 

O CORVO

(Tradução para o português de Machado de Assis)

 


Em certo dia, à hora, à hora
Da meia-noite que apavora,
Eu, caindo de sono e exausto de fadiga,
Ao pé de muita lauda antiga,
De uma velha doutrina, agora morta,
Ia pensando, quando ouvi à porta
Do meu quarto um soar devagarinho,
E disse estas palavras tais:
“É alguém que me bate à porta de mansinho;
Há de ser isso e nada mais.”


Ah! bem me lembro! bem me lembro!

Era no glacial dezembro;
Cada brasa do lar sobre o chão refletia
A sua última agonia.
Eu, ansioso pelo sol, buscava
Sacar daqueles livros que estudava
Repouso (em vão!) à dor esmagadora
Destas saudades imortais
Pela que ora nos céus anjos chamam Lenora.
E que ninguém chamará mais.

CHESS ENDGAME - 171 types in 4560 positions

Capa do Livro

Escrito pelo pelo pedagogo e pedagogista húngaro:
Lásló Polgar 
(pai e treinador das célebres irmãs enxadrístas, Judit Polgar, Susan Polgar e Sofia Polgar)
Lázló escreveu vários livros: todos de conhecimentos especializados, principalmente psicologia, educação e xadrez. 

László tinha interesse por um método apropriado para a educação de crianças, e após estudar as biografias de centenas de grandes intelectuais, criou a hipótese de que gênios podiam ser criados. Tudo questão de estímulo e condições adequedas desde criança.

Mas a grande parte dos livros de Lázló é sobre Xadrez. Eles viraram manuais básicos, elaborados por um professor, para estudos da teoria enxadrística.

O REQUERIMENTO DE POLICARPO QUARESMA

Foto do escritor
     Policarpo Quaresma é uma criação do escritor e jornalista Afonso Henriques de Lima Barreto (1881-1922) que viveu no Rio de Janeiro, cidade capital do Brasil nos tempos da primeira república. No livro “O triste fim de Policarpo Quaresma” o personagem principal se vê em meio a uma série de acontecimentos, que como segere o título da obra, levam ao desfecho inevitável com a morte.

    Esses eventos começam com um simples requerimento escrito ao Senado Federal da embrionária República dos Estados Unidos do Brasil. 

    A versão completa da obra está disponível aqui>

       A seguir transcrevo apenas o texto do requerimento que consequências tão desastrosas trouxe a esse ilustre brasileiro que muito bem conhecia e amava o Brasil:

O NOVO CAMPEÃO

Capa de uma edição do livro
Essa é uma passagem de Histórias do Mundo Para Crianças, escritas pelo
escritor brasileiro Monteiro Lobato, é uma história ambientada no Sítio do Pica-pau Amarelo, onde Dona Benta, a matriarca da turma, reunia os netos e os brinquedos falantes, dando aulas diárias que animavam a imaginação dos personagens. Em certa altura das exposições na sala de jantar, as palavras dessa senhora foram:

"- Imaginem vocês – Continuou Dona Benta – a empáfia dos romanos depois disso!"

(Disso, que estava sendo narrado antes, foi a violenta destruição e aniquilação da cidade-estado de Cartago.)

A RATOEIRA

(uma fábula de Esopo) 

rato de desenho
    Um ratinho, olhando pelo buraco da parede de sua toca, viu o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote. Pensou logo no tipo de comida que poderia haver ali. Ao descobrir que era uma ratoeira, ficou aterrorizado. Correu ao pátio da fazenda para advertir todos.

Foi ao galinheiro e falou:

— Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa!

A galinha disse:

— Desculpe-me, senhor rato, eu entendo que isso seja um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada, não me incomoda. — E a galinha continuou a ciscar.

O rato foi até o chiqueiro e disse ao porco:

OLHA O OLHO DA MENINA


traços de Ziraldo
Menino Maluquinho

    Esse é um dos personagens mais conhecidos no nosso país. Ziraldo, seu criador, ficou famoso com uma trajetória artística comprometida com a busca de um futuro melhor para o Brasil e para o mundo. Seus desenhos ilustram inúmeros textos, revistas e livros, em especial livros infantis. Através desses desenhos ilustrativos cheguei ao texto "Olha o olho da menina" escrito por Marisa Prado.

    Um texto inocente e profundo como a natureza das próprias crianças a quem se dirige. Um texto que fala e remete a boas reflexões sobre ser gente.



Menina crescia escutando
que não adiantava mentir
porque mãe sempre sabia


Mãe dizia
que lia na testa da Menina,
e que só Mãe
sabia ler testa.



Monteiro Lobato e a EMÍLIA

Extraído da última parte da obra “ARITMÉTICA DA EMÍLIA” de Monteiro Lobato.


]
Emília de Monteiro Lobato
Criador e criaturas
"(…) A lição foi interrompida pela chegada do correio com uma porção de livros encomendada por Dona Benta. Entre eles vieram os de Malba Tahan, um misterioso califa árabe que conta lindos apólogos do Oriente e faz as maiores piruetas possíveis com os números. Dona Benta passou a noite a ler um deles, chamado O HOMEM QUE CALCULAVA, e no dia seguinte, ao almoço, disse:

- Parece incrível que esse árabe saiba tantas coisas interessantes a respeito dos números! Estive lendo-o até às quatro da madrugada e estou tonta. O tal homem que calculava só não calculou uma coisa: que com suas histórias ia fazer uma pobre velha perder o sono e passar a noite em claro. Livros muito bons são um perigo: estragam os olhos das criaturas. Não há como um “livro pau”, como diz a Emília, porque são excelentes narcóticos…

A criançada assanhou-se com o Malba Tahan, de modo que o pobre Visconde de Sabugosa foi deixado as moscas. Emília declarou que “O Sabugo Que Calculava” não valia o sabugo da unha de “O Homem Que Calculava”, e para provar a afirmação chamou o Visconde e propõe-lhe um problema:

- Venha cá, sabidinho da Grécia. Venha me resolver este problema tahânico. Um lixeiro juntou na rua 10 pontas de cigarro. Com cada 3 pontas ele fazia um cigarro inteiro. Pergunto:quantos cigarros formou com as 10 pontas?

- Nada mais simples – respondeu o Visconde. Formou 3 cigarros e sobrou uma ponta.

- Está enganado! - berrou Emília. Formou 5 cigarros…

- Como não é possível…

- Nada mais simples. Com 10 pontas achadas na rua ele formou 3 cigarros e fumou-os – e ficou com mais três pontas que juntadas àquela quarta deu 4 pontas. Com essas 4 pontas formou mais um cigarro e sobrou uma ponta. Fumou esse cigarro e ficou com 2 pontas. E vai então e pediu emprestada a outro lixeiro uma ponta nova e formou um cigarro inteiro – o quinto! Temos aqui, portanto, 5 cigarros formados com as 10 pontas, e não 3 cigarros, como o senhor disse, Ahn!… concluiu Emília botando-lhe um palmo de língua.

- Está errado – protestou o Visconde – porque se ele fumou esse quinto cigarro, sobrou uma ponta.

BIBLIOTECAS X PLATAFORMAS

O analógico e o digital

    agosto de 2023

    A leitura física em livros de papel está perdendo espaço para as novas formas de leitura digital.

    Não são só os livros. Os impressos periódicos, como jornais e revistas que hainda existem, são encontrados facilmente em suas versões na internet com uma busca no Google.

    O acesso a internet mudou muito o comportamento do ser humano. E nem todas as mudanças foram positivas. O excesso de esposição de luminosidade nos olhos é um malefício a ser considerado.

    De uma maneira geral, Ciências Humanas se estudam (desde o iluminismo pelo menos) com leituras, com aprendizagens de novas e velhas palavras. A leitura nos da a capacidade de apropriamo-nos de novos conceitos e desenvolvemos a habilidade de manusear novas categorias.