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| pedras trabalhadas |
Quando falamos de revolução estamos falamos de uma coisa importante. Revoluções não acontecem todo o dia. São poucas as legítimas revoluções na história. Digo isso porque tornou-se comum chamar de revolução acontecimentos que não constituíram de fato uma revolução, como no caso da “revolução farroupilha” que foi, na verdade, uma guerra civil. O objetivo dessa atitude de chamar de revolução o que não foi, é enaltecer os feitos de antepassados, ressaltar como foram importantes, pois com certeza, se foi revolução foi importante.
Revolucionar significa transformar profundamente as coisas como elas estão. Revolver a terra é revirá-la, revolucionar é colocar de cabeça para baixo o que está de pé. Revolução é uma grande e profunda transformação na realidade.
A primeira revolução da história foi a descoberta da agricultura e sua utilização intensiva pelos grupos humanos. Entre todas as realizações humanas ao longo do tempo, por seu significado e pelas consequências para a vida social, a agricultura destacou-se por, inaugurar uma nova forma de relação do homem com a natureza transformando-o de mero consumidor de recursos naturais em reprodutor desses recursos, ou essencialmente, em produtor, da mesma forma possibilitou a transformação da sociedade como um todo. A utilização intensiva da agricultura pelos homens para produzir, representou a solução definitiva para o problema da obtenção de alimentos que ocupava a maior parte do tempo dos indivíduos do paleolítico.
Com a agricultura surgiu o excedente de produção: o trabalho de um indivíduo tornou-se suficiente para suprir e alimentar muitos outros. A capacidade produtiva conseguida com o desenvolvimento das técnicas agrícolas (que continua em marcha até os dias de hoje) gerou uma grande quantidade de alimentos que foi a primeira forma de riqueza material acumulável das sociedades humanas.
As práticas agrícolas geraram as possibilidades de estacionamento de populações em lugares permanentes num processo que chamamos sedentarização e que significou o abandono do nomadismo, uma vez que as plantas nascem e se desenvolvem fixas ao solo e os homens que passaram a viver do cultivo delas, fixaram-se também e começam aos poucos a criar residências permanentes. Surgiram nesse contexto os primeiros núcleos sedentários, as chamadas aldeias neolíticas.
Importante salientar que esse processo não aconteceu ao mesmo tempo em todos os lugares do mundo. Como nas demais conquistas tecnológicas da humanidade, do controle do fogo à produção da energia atômica, alguns grupos humanos dominaram essas técnicas antes de outros. Assim grupos caçadores e aldeões agricultores coexistiram por muito tempo em muitos lugares. Os que plantavam tinham que cuidar para que suas plantações não fossem colhidas por outros homens que viviam da coleta. Da mesma forma as plantações tinham que ser defendidas de animais selvagens. As novas sociedades agrícolas tiveram que montar guarda em torno de suas plantações.
A grande produção de alimentos, o chamado excedente de produção agrícola, também possibilitou um grande aumento da população. Mais alimentos alimentavam mais bocas. O excedente agrícola também passou a ser utilizado para aperfeiçoar as técnicas de domesticação de animais, que já tinham se iniciado no paleolítico quando, por exemplo, filhotes de cães (entre outros animais caçadores) foram retirados da vida selvagem para conviver com os humanos para ajudar na caça (dai a origem do melhor amigo do homem). Para domesticar é preciso alimentar e com mais alimentos mais animais passaram a ser criados próximos as novas residências fixas dos humanos que não precisavam mais sair para caçar para conseguir carne e coletar para conseguir ovos, além de desenvolverem uma nova fonte de alimentos dos novos animais domésticos, o leite.
A abundância de alimentos gerada a partir do trabalho agrícola também permitiu que alguns indivíduos do grupo não precisassem trabalhar na produção de alimentos para ter o que comer, assim alguns indivíduos começaram a se dedicar a outras tarefas como o artesanato. É o chamado processo de especialização do trabalho no qual surgem atividades humanas que estão na origem do que hoje chamamos de profissão. Sacerdotes, militares e comerciantes, entre outros tantos artesões especializaram-se em trabalhos específicos. Até os instrumentos de pedra resultam melhorados nas aldeias neolíticas. Teve-se o início uma nova sociedade e um novo período da história, a idade da pedra polida.
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| ferramentas de "pedra polida" |

