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| Colagens com Cora |
uma cabocla velha
de mau-olhado,
acocorada ao pé do borralho,
olhando para o fogo.
Benze quebranto.
Bota feitiço...
Ogum. Orixá.
Macumba, terreiro.
Ogã, pai de santo...
(versão reduzida para declamar em sala de aula)
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| Imagem criada pela IA nano banana2 |
Enfunando os papos,
Saem da penumbra,
Aos pulos, os sapos.
A luz os deslumbra.
O sapo-tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz: - "Meu cancioneiro
É bem martelado.
Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos.
O meu verso é bom
Frumento sem joio.
Faço rimas com
Consoantes de apoio.
Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da Vida por si mesma. (...)
Podeis outorgar-lhes vosso amor,
mas não vossos pensamentos. (...)
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles,
mas não procureis fazê-los como vós.
Porque a vida não anda para trás
e não se demora com os dias passados.
"Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu."
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| arte da exposição raízes poéticas |
Uma nascente, fundamentais devaneios.
Em dias que não mudam, o autojulgamento,
Ótica desigual, é distante o sentimento.
Nessa visão realista, uma trilha de atos falhos,
Ansiedade nas manhãs, esperança de aplausos.
Moldados pelas lutas, trabados ao cansaço,
Um ringue diverso, que transforma, vira aço.
Película etária, com metamorfoses morais,
Um ciclo finito, que ultrapassa os minutos irreais.
Decifrados, somos os novos maquinários,
Diante das opções, profissionais arbitrários.
Encontrei uma preta
um monte até o céu
E suas asas destruídas pelo fogo
abanavam o ar da tarde
Eu vi os anjos de Sodoma semeando
prodígios para a criação não
perder seu ritmo de harpas
Eu vi os anjos de Sodoma lambendo
as feridas dos que morreram sem
alarde, dos suplicantes, dos suicidas
e dos jovens mortos
Eu vi os anjos de Sodoma crescendo
com o fogo e de suas bocas saltavam
medusas cegas
Eu vi os anjos de Sodoma desgrenhados e
violentos aniquilando os mercadores,
roubando o sono das virgens,
criando palavras turbulentas
Eu vi os anjos de Sodoma inventando a
loucura e o arrependimento de Deus
Roberto Piva
Lira era um instrumento musical de cordas, utilizado pelos romanos para acompanhar declamações poéticas, acabou dando nome a versos de amor. Tomás Antônio Gonzaga, "flechado pelo Cupido", como ele mesmo disse, escreveu dezenas de poemas "líricos" para uma tal de Marília. Chamou a maioria desses versos de Liras. Lendo "Marília de Dirceu" percebi rapidamente que Dirceu não era um sobrenome, mas sim um nome próprio. Como bom leitor de Agatha Cristie, não consegui desvendar com exatidão quem era o Dirce, precisei da ajuda de uma professora de literatura para me explicar as características do Arcadismo para compreender melhor a obra.
LIRA V (da primeira parte)
Acaso são estes
Os sítios formosos,
Aonde passava
Os anos Gostosos?
São estes os prados,
Aonde brincava,
Enquanto pastava
O manso rebanho
Que Alceu me deixou?
São estes os sítios?
São estes; mas eu
O mesmo não sou.
Marília, tu chamas?
Espera, que eu vou.
Daquele penhasco
Um rio caia;
Ao som do sussurro
Que as vezes dormia!
Agora não cobrem
Espumas nevadas
As pedras quebradas:
Parece que o rio
o curso voltou.
São estes os sítios?
São estes; mas eu
O mesmo não sou.
Marília, tu chamas?
Espera, que eu vou.
Meus versos, alegre,
Aqui repetia,
O eco as palavras
Três vezes dizia.
Se chamo por ele,
Já não me responde;
Parece se esconde,
Cansado de dar-me
Os ais que lhe dou.
São estes os sítios?
São estes; mas eu
O mesmo não sou.
Marília, tu chamas?
Espera, que eu vou.
Aqui um regato
Corria sereno,
Por margens cobertas
De flores e Feno;
À esquerda se erguia
Um bosque fechado;
E o tempo apressado,
Que nada respeita,
Já tudo mudou.
São estes os sítios?
São estes; mas eu
O mesmo não sou.
Marília, tu chamas?
Espera, que eu vou.
Mas como discorro?
Acaso podia
Já tudo mudar-se
No espaço de um dia?
Existem as fontes,
E os freixos copados;
Dão flores os prados.
E corre a cascata,
Que nunca secou.
São estes os sítios?
São estes; mas eu
O mesmo não sou.
Marília, tu chamas?
Espera, que eu vou.
Minha alma, que tinha
Liberta a vontade,
Agora já sente
Amor e saudade,
Que sítios formosos,
Que já me agradaram,
Ah! não se mudaram;
Mudaram-se os olhos,
De triste que estou.
São estes os sítios?
São estes; mas eu
O mesmo não sou.
Marília, tu chamas?
Espera, que eu vou.
P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!...
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?
Silêncio. Musa... chora, e chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto! ...
Trecho inicial da parte VI do Poema Navio Negreiro, disponível completo AQUI.
"Quero ser o teu amor amigo.
Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amor amigo, mas confesso é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo, de acertar nossas distâncias..."
Quem construiu a Tebas de sete portas?
Nos livros estão nomes de reis.
Arrastaram eles os blocos de pedra?
E a Babilônia várias vezes destruída. Quem a reconstruiu tantas vezes?
Em que casas da Lima dourada moravam os construtores?
Para onde foram os pedreiros, na noite em que a Muralha
da China ficou pronta?
A grande Roma está cheia de arcos do triunfo.
Quem os ergueu? Sobre quem triunfaram os césares?