Quem matou Getúlio Vargas?

A verdade sobre a tentativa de Golpe de 1954:

Getúlio Vargas carismático
    Dia 24 de agosto é uma data especial. Sim, tem um monte de gente que faz aniversário nesse dia e só por isso acha que vai ganhar presente. Mas não é disso que quero falar.

    Nesse dia em 1954, a política brasileira superou qualquer final de filme vencedor do Oscar. Foi o dia em que as circunstâncias políticas levaram o então presidente Getúlio Vargas a dar o seu lance mais radical no xadrez do poder e "sair da vida para entrar na História". Neste ano de 2026, a data cai justamente em uma segunda-feira. Sei que tem gente que não gosta do dia mas é um ótimo momento para relembrar esse capítulo decisivo da história brasileira.

    Com o passar dos anos do ocorrido, vemos hoje uma proliferação das teorias da conspiração na internet e uma dúvida teima em flutuar nas conversas (especialmente na ausência de um professor de História): afinal de contas, quem matou Getúlio Vargas?

A conspiração, a crise e o tiro no peito:

    Para entender o desfecho, precisamos voltar ao cenário caótico do Palácio do Catete, a então sede do Poder Executivo no Rio de Janeiro (na época, Distrito Federal).

     A pressão política exercida pela oposição a Vargas era implacável, liderada pelo jornalista e deputado federal Carlos Lacerda. Lacerda foi ferido no pé após o famoso Atentado da Rua Tonelero e acusou diretamente o presidente gaúcho de ser o mandante do crime. A crise se agravou a tal ponto que o alto comando do Exército exigiu a renúncia de Vargas. 

Trecho da carta testamento
Trecho da carta testamento - fonte PDT

    Para os fãs da tese "foi crime de mando", sinto informar: as evidências periciais e históricas comprovam que o tiro que matou Getúlio foi desferido pelo próprio com sua própria arma pessoal. Suicídio é o termo técnico para o que seus amigos e aliados testemunharam naquela manhã no Catete.

    No jogo de xadrez, chamamos essa jogada de sacrifício. Foi um lance ousado que funcionou para adiar o golpe militar por dez anos. Em 1964, os golpistas finalmente conseguiram o que queriam, mas derrubar Getúlio em vida eles jamais conseguiram.

Uma manobra política calculada

    O sacrifício voluntário do ex-presidente não foi um ato de depressão ou de desesperança passiva; foi uma manobra política rigorosamente calculada.

    Ao tirar a própria vida e deixar sua célebre Carta-Testamento, Getúlio mobilizou a opinião pública, freou a oposição e transformou seu gesto final em uma denúncia explícita contra os interesses do grande capital internacional que tentavam sabotar a soberania e o desenvolvimento nacional.

Para Saber Mais:

 (e aprofundar seus estudos)

    Se você quer se aprofundar nessa trajetória fascinante ou ver esse período conturbado por um ângulo completamente inusitado, separei duas recomendações imperdíveis de leitura para a sua estante:

Para quem busca rigor histórico e análise profunda:

Getúlio Vargas de Boris Fausto
 


Getúlio Vargas - Boris Fausto 

 

Escrito por um dos maiores historiadores do país, este livro é o guia definitivo para compreender a ascensão, as reformas trabalhistas, o Estado Novo e a ruína política que culminou no 24 de agosto de 1954.

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Para quem prefere a Literatura com uma boa dose de ironia: 

 

O Homem que Matou Getúlio Vargas - Jô Soares

 

 

Neste romance hilário, o saudoso Jô Soares inventa Dimitri Borja Korozec, um anarquista atrapalhado com um dedo mimado a menos, cuja única missão é assassinar líderes mundiais. Uma comédia deliciosa pelos bastidores da época.

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