Todo dia 20 de setembro, o Rio Grande do Sul celebra a sua data comemorativa mais emblemática: o Dia do Gaúcho. O feriado estadual não apenas movimenta acampamentos farroupilhas, cavalgadas e desfiles por todo o estado, mas remete ao início de um dos conflitos mais longos e marcantes da história do Brasil Império: a "Revolução" Farroupilha (1835-1845).
Para estudantes, vestibulandos e entusiastas da História, entender o 20 de setembro é ir além do bairrismo regional, é entrar em um capítulo fundamental da nossa história, marcada pela instabilidade política do Período Regencial brasileiro.
O Contexto do Período Regencial e as Revoltas Regionais
Com a abdicação de D. Pedro I em 1831 e a menoridade de D. Pedro II, o Brasil viveu o Período Regencial (1831-1840), uma fase de intensa disputa pelo poder entre elites locais e o governo central sediado no Rio de Janeiro.
A ausência da figura real centralizadora alimentou uma onda de insurreições por todo o território nacional. Falava-se muito em "revolução" na época. Enquanto movimentos como a Cabanagem (Pará), a Sabinada (Bahia) e a Balaiada (Maranhão) estouravam em diferentes províncias, no extremo sul do país, na disputada fronteira platina, o povo que cavalgava nessas pradarias onde se criava gado para exportar carne, também encontrou motivos para ser rebelar.
A Eclosão da Guerra dos Farrapos: O 20 de Setembro de 1835
A elite estancieira gaúcha, os proprietários de terra onde se produzia charque e couro, acumulava profundas insatisfações com o governo regencial:
- Taxação do Charque: O charque gaúcho pagava altos impostos para circular no mercado interno brasileiro, enquanto o produto vindo do Uruguai e da Argentina entrava no país com tarifas alfandegárias mais baixas.
- Centralismo Político: A província exigia maior autonomia administrativa e fiscal em relação ao Rio de Janeiro.
- A Tomada de Porto Alegre: Na noite de 20 de setembro de 1835, lideradas por Bento Gonçalves, as forças rebeldes (conhecidas como farroupilhas) invadiram Porto Alegre pela Ponte da Azenha, forçando a fuga do presidente da província, Fernandes Braga.
O evento marcou o início de dez anos de combates que levariam à proclamação da República Rio-Grandense em 1836 e da República Juliana em Santa Catarina em 1839, contando com figuras históricas globais como Giuseppe e Anita Garibaldi. A guerra só terminaria em 1845, com a assinatura do Tratado de Ponche Verde, que concedeu anistia aos rebeldes e taxou o charque estrangeiro.
Tradição e Memória: O Culto à Identidade Gaúcha
Com o passar das décadas, o marco militar do 20 de setembro transmutou-se em um símbolo de preservação cultural e orgulho das tradições sul-rio-grandenses. A data celebra os valores de autonomia e pertencimento, unindo gerações em torno da música, da culinária típica e da roda de conversa.
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