O século XX chegou a sua metade passando pelas duas maiores guerras de toda a história da humanidade. A segunda metade desse século iniciou com um novo conflito internacional, a guerra fria, disputada pelas duas maiores potências políticas e militares do globo: Estados Unidos e União Soviética. Tanto num país quanto no outro, as pessoas suspeitas de simpatizar com o país adversário eram perseguidas e duramente reprimidas.
Órgãos e departamentos estatais voltados para a segurança e o serviços de inteligência, eram criados tanto no ocidente quanto no oriente. A CIA norte-americana rivalizava com a KGB soviética, cada qual buscando informações um do outro enquanto colaboravam para a repressão aos inimigos políticos e ideológicos identificados dentro dos países.
Nos Estados Unidos, o principal líder do movimento anticomunista, que ganhou muita força a partir da década de 1950, era o senador Joseph McCarthy, de onde vem o termo Macarthismo. McCarthy perseguiu e levou à prisão cientistas, escritores, artistas, professores e funcionários do governo, todos acusados de colaborar com o comunismo internacional.
Entre os suspeitos do macarthismo estavam nomes como o do físico Alemão Albert Einstein, os cineastas Charlie Chaplin e Orson Welles, os escritores Dashiell hammett, Arthur Miller e Dorothy Parker. No cinema e no teatro circularam “listas negras” de profissionais que não deveriam ser contratados, por estarem sujeitos a investigações ou suspeitas do FBI (Agência Federal de Investigações).
A atuação dos macarthistas consistia em acusar pessoas e empresas de terem “ideias comunistas”ou de estarem de alguma forma ligados a ideias lançadas pelo regime comunista de Moscou. Também chamado de “caça às Bruxas”, esse movimento incitava pessoas a denunciar outros indivíduos que podiam estar colaborando com o comunismo, mesmo que estes fossem amigos ou parentes.
Esse novo movimento que substituiu o fascismo no combate ao comunismo, tem suas origens ainda em 1948, quando Whittaker Chambers, ex-editor da revista Time, uma das mais prestigiadas dos Estados Unidos, declarou que havia uma célula comunista agindo dentro de altos escalões governamentais. Ainda que estas declarações tenham se mostrado infundadas, a possibilidade de existência de comunistas agindo nos EUA, armou o senador McCarthy para iniciar o seu combate contra os supostos traidores da pátria, os comunistas infiltrados.
Em sua luta institucionalizada, o macarthismo penetrou profundamente, com seus agentes, nos serviços públicos norte americanos. Serviços essenciais como os correios e a alfândega, chegaram a violar correspondências e encomendas consideradas suspeitas. Além disso, entidades de classe como a dos médicos e a dos advogados aderiram a causa anticomunista.
Os livros didáticos, principalmente os de história e geografia, sofreram deformações decorrentes da interferência de macarthistas que entregavam aos seus leitores propaganda político ideológica comprometida com o combate ao perigo comunista, tratado como o grande vilão do mundo. Amplos setores da imprensa e da mídia faziam o mesmo serviço. Escritores e até o cinema reproduziam a ideia da necessidade de combater o mal comunista.
O mais incrível é encontrar ainda em atuação no Brasil de 2026, forças políticas ainda inspiradas no macarthismo!


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