Brasil, 01/10/2026, antevéspera da realização do primeiro turno das eleições brasileiras, para essa noite estava programado a acontecer o tradicional DEBATE DOS PRESIDENCIÁVEIS produzido e transmitido pela maior emissora de televisão do Brasil a Rede Globo.
A Globo com seus debates, sua teledramaturgia, seu jornalismo e toda uma nova grade de programação espelhada nos modelos gringos, tem perdido audiência e participação nos ganhos com publicidade no mercado nacional, apesar de seus esforços para se adequar aos novos tempos da internet.
A história da Rede Globo não é apenas a trajetória de uma empresa de comunicação que deu certo; é a crônica de como um império midiático que moldou e foi moldado por décadas de transformações sociais, econômicas e políticas no Brasil.
A TV Globo começa oficialmente em 26 de abril de 1965, no canal 4 do Rio de Janeiro. Contudo, as bases para o surgimento da emissora foram lançadas anos antes pelo jornalista Roberto Marinho, herdeiro do jornal O Globo. O momento de nascimento da emissora coincide com a consolidação da ditadura militar instaurado pelo golpe de 1964.
Para viabilizar financeiramente um projeto de escala nacional, que resultou na construção da maior rede de antenas de difusão de sinais UHF e VHF do país, a direção da Globo firmou um controverso contrato de assistência técnica e financeira com o grupo de comunicação norte-americano Time-Life. O acordo envolvia um aporte de cerca de 6 milhões de dólares, valor estratosférico para a época. O contrato violava a Constituição brasileira da época, que proibia expressamente a participação de capital ou gestão estrangeira em empresas de comunicação nacional.
Uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) chegou a ser instalada no Congresso para investigar a ilegalidade da transação, mas o regime militar optou por arquivar o caso e perdoar a irregularidade. Em troca, o governo ditatorial ganhou um aliado de peso no meio de comunicação que rapidamente se tornaria o mais influente do país.
A concordância do regime permitiu à Globo sufocar gradualmente concorrentes históricas, como a TV Tupi e a TV Excelsior, esta última sufocada financeiramente por pressões governamentais até sua falência. Em 2013, o próprio Grupo Globo publicou um editorial reconhecendo que o apoio ao golpe de 1964 e ao regime militar foi um "erro", admitindo o alinhamento histórico que impulsionou seu crescimento inicial.
Mas a consolidação da liderança de audiência a partir da década de 1970 não se deu apenas pela política, mas também por uma revolução na linguagem televisiva. Sob a gestão de executivos como Boni (José Bonifácio de Oliveira Sobrinho) e Walter Clark, a emissora instituiu o chamado "Padrão Globo de Qualidade".
Se o conteúdo atraía os olhos do público, o modelo de negócios da Globo garantiu a sua hegemonia financeira inalcançável. A emissora moldou o mercado publicitário brasileiro ao introduzir práticas comerciais inovadoras funcionais, que lhe garantia arrecadar a maior parte dos investimentos em publicidade no país.
Faturando também com publicidade estatal, a Globo construiu um jornalismo da Globo que sempre esteve no centro dos debates políticos mais acalorados do Brasil. O Jornal Nacional, estreado em 1969 como o primeiro programa gerado em rede nacional e ao vivo, tornou-se o principal fiador da opinião pública.
A primeira eleição direta para presidente após o regime militar, disputada no primeiro segundo turno das eleições brasileiras, entre Collor e Lula, ficou marcada pela atuação da emissora. Foi nessa eleição que surgiram os DEBATES DOS PRESIDENCIÁVEIS no Brasil. Programa que todo mundo assistia e que passou a fazer parte dos calendários de campanhas dos candidatos em todas as eleições desse período democrático e constitucional que vivemos desde 1988 e que as vezes parece estar a perigo.
Pois, chegamos a noite de hoje com para a realização do Debate da Globo e o Lula, de novo ele, já tinha avisado que não iria. Sem precisar de liminar judicial nenhuma, simplesmente preferiu usar seu direito de não participar de um programa da Globo. Eu mesmo não estava disposto a assistir esse "espetáculo".
Apesar de termos 13 candidatos concorrendo para presidente, a Globo queria fazer um debate com apenas 4 candidatos. Com a desistência de Lula o candidato Romeu Zema conseguiu uma decisão judicial para substituir o ausente. Até ai tudo bem para a TV, o debate teria então os 4 candidatos. Mas na onda das decisão judiciais, o candidato Renan Santos conseguiu também uma decisão judicial favorável ao seu pleito de poder participar do show.
Após ser informado da participação de Renan no debate o candidato Flávio Bolsonaro decidiu não participar. Sem a presença de Lula, o primeiro colocado nas pesquisas para a eleição e com a desistência de do número dos das pesquisas, a Globo resolveu não fazer o debate. CANCELOU e colocou novela no lugar.
Os candidatos foram para as redes sociais e a Globo não é mais a mesma. Sinais de novos tempos. Veremos.

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