Luzia e seu povo, os primeiros habitantes do Brasil

crânio Luzia
     Foi muito antes das caravelas portuguesas aportarem no litoral baiano, trazendo os conquistadores europeus, que viveram os primeiros habitantes dessas terras que passaram a fazer parte dos registros escritos que deram início a história do Brasil.

    No centro dos estudos dos primeiros habitantes, não só do Brasil, mas como da América, está o fóssil apelidado de Luzia descoberto na década de 1970 na gruta da Lapa Vermelha, no município de Pedro Leopoldo (MG). Estimado com cerca de 12.500 a 13.000 anos de idade, o crânio do esqueleto tornou-se uma das maiores peças do quebra-cabeça do povoamento do continente americano.

    Por décadas, a teoria predominante sobre Luzia, formulada na década de 1980 pelo bio antropólogo Walter Neves, sustentava que o continente americano teria sido povoado por duas levas migratórias:

1.    A Primeira Onda: Grupos com traços morfológicos semelhantes aos de aborígenes australianos e melanésios (da qual Luzia faria parte).

2.    A Segunda Onda: Grupos vindo da Ásia com feições mongoloides, que teriam dado origem aos povos indígenas que conhecemos hoje.

    Essa hipótese baseava-se exclusivamente no estudo morfológico da medição dos ossos e crânios. Durante anos, o rosto reconstruído de Luzia exibia lábios e nariz mais largos, reforçando essa narrativa.

    Mas a ciência, com novas tecnologias e procedimentos, nos proporciona avanços na compreensão das coisas. Foi o que aconteceu quando pesquisadores do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, em parceria com a Universidade de Harvard e o Instituto Max Planck, conseguiram extrair e analisar amostras de DNA de ossadas humanas de indivíduos do mesmo grupo de Luzia, chamados de “o povo de Lagoa Santa” ou como eu me referi no título do post, o povo de Luzia.

    Os resultados da análise dos DNA”s mais antigos do Brasil, para mim desmontaram claramente que sabemos é pouco dessa história e que obviamente precisamos estudar mais para entender mais, mas resumidamente podemos acrescentar ao que sabemos sobre os componentes biológicos dos nossos antigos ancestrais:

    O DNA provou que não há sinal de genoma australo-melanésio no povo de Luzia. Todo o seu código genético aponta para uma ligação direta com os demais ancestrais dos povos indígenas das Américas. Portanto Luzia não tem ancestral conhecido, apenas descendentes.

 

 "1499: O Brasil Antes de Cabral"

1499: O Brasil antes de Cabral
 

Se você quer ir além dos livros didáticos tradicionais e compreender em detalhes como viviam as sociedades humanas que habitavam o território brasileiro antes do contato europeu, o livro 1499: O Brasil Antes de Cabral, do jornalista científico Reinaldo José Lopes trás com linguagem acessível as descobertas da arqueologia, linguística e genética de forma envolvente, como um verdadeiro romance sobre os nossos antepassados.

O livro apresenta desde os caçadores-coletores da era do gelo (como o povo de Luzia) até as grandes engenharia urbanas do Xingu e as sofisticadas cerâmicas da Ilha de Marajó.

 

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