A História costuma dedicar bastante atenção à Europa, uma pequena região do planeta que passou por transformações profundas ao longo dos mil anos da Idade Média. Nesse período, diversos povos disputaram o controle das terras do continente onde prevaleceu sobretudo a religião cristã da velha Roma.
Essa população europeia foi formada por intensas ondas migratórias, como a dos povos germânicos vindos do norte. Ao se estabelecerem no extremo ocidente do continente, eles deram origem a um mundo extremamente diverso: falavam-se diferentes línguas e dialetos, e cada região tinha suas próprias tradições, formas de se vestir, culinária, moradias e sistemas de pesos e medidas.
Nesse cenário de fragmentação típica do sistema feudal, o Cristianismo que havia chegado ao Ocidente como uma religião "peregrina", tornou-se o principal elemento de união dessa sociedade. Contudo, no mesmo momento histórico, outra grande religião expandia-se rapidamente em várias direções: O Islamismo, que começava a avançar pelas fronteiras europeias.
No final do século XI, o Império Bizantino (antigo Império Romano do Oriente) enfrentou uma crise existencial. Os turcos seljúcidas, povo recém-convertido ao Islamismo, expandiram seus territórios pela Ásia Menor e impuseram uma grande derrota aos bizantinos na Batalha de Manzikert em 1071.
Cidades históricas da região, as mesmas para as quais o apóstolo Paulo havia enviado suas famosas epístolas, caíram rapidamente sob o controle muçulmano. Com isso, os novos governantes deixaram de pagar impostos a Constantinopla, capital do Império Bizantino.
No Império Bizantino vigorava o cesaropapismo, um sistema no qual o imperador governava não apenas como líder político, mas também como representante de Cristo na Terra e protetor da fé. O governo bizantino passou a denunciar saques, violência e a falta de segurança enfrentada pelos peregrinos cristãos que viajavam para visitar locais sagrados, especialmente Jerusalém.
Em 1095, diante do avanço turco, o imperador bizantino Aleixo I enviou embaixadores a Roma com um pedido urgente de socorro. O Papa Urbano II atendeu ao apelo e convocou um grande encontro religioso (um Concílio) em novembro daquele mesmo ano. Em um campo aberto fora das muralhas da cidade de Clemont, na França, o Papa discursou para uma enorme multidão e proclamou a convocação dos cristãos para marchar em direção a Jerusalém.
A nobreza europeia respondeu ao chamado e organizou um exército estimado em 50 mil homens. Movidos por uma fé unificadora em suas mentes, esses guerreiros estampavam a imagem da cruz em seus equipamentos, dai a origem do termo “Cruzados".
Comandados por experientes cavaleiros medievais como Godofredo de Bouillon, Boemundo de Taranto e Raimundo IV de Toulouse, esses exércitos marcharam em direção ao Oriente. Após vários combates e muitas baixas ao longo do caminho, cerca de 12 mil homens conseguiram romper as defesas e conquistar Jerusalém em julho de 1099.
A vitória inicial, contudo, esteve longe de ser definitiva. Nem o Papa Urbano II nem o imperador Aleixo I viveram o suficiente para ver o desfecho dessa longa história.
Anos mais tarde, as forças muçulmanas se reorganizaram sob a liderança de um grande estrategista e guerreiro: Saladino, que iniciou a reconquista dos territórios e a expulsão dos invasores europeus.
As conquistas cristãs duraram pouco. Ao longo de mais de 200 anos de conflitos, novas expedições militares (ao todo, oito Cruzadas principais) foram organizadas na Europa. No final das contas, os europeus não conseguiram manter o controle permanente sobre a "Terra Santa" nem alcançar os objetivos a que se propuseram, deixando um legado complexo de transformações comerciais, culturais e políticas entre o Ocidente e o Oriente.
Principais destaques para estudo:
Elemento unificador: O Cristianismo uniu a Europa feudal politicamente e culturalmente fragmentada.
Causa imediata: Pedido de ajuda do Império Bizantino contra o avanço dos turcos seljúcidas.
O Chamado: Papa Urbano II no Concílio de Clermont (1095).
Conquista e perda: Jerusalém foi tomada pelos cristãos em 1099, mas reconquistada mais tarde pelos muçulmanos liderados por Saladino.

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