A idade média, ou idade medieval, é o período da história que estende-se do século V (401 – 500 d.c.) até o século XV (1401 – 1500). É um período longo de mil anos entre o fim do esplendor da Roma antiga e a consolidação do cristianismo na Europa e ao norte do oeste da Ásia. Esse longo processo histórico é tradicionalmente subdividido em duas fases: alta idade média, século V ao X e baixa idade média, dó século XI ao derradeiro século XV que encerra essa história.
O ponto de partida desta era foi a desintegração do Império Romano do Ocidente frente às investidas dos povos germânicos. Enquanto o ocidente se fragmentava em diversos reinos bárbaros, a porção oriental do império, com capital em Constantinopla, não apenas sobreviveu como floresceu. Conhecido como Império Bizantino, este estado era herdeiro direto da tradição romana e, estrategicamente localizado na passagem entre a Europa e a Ásia, tornou-se o mais poderoso centro urbano e cultural da Europa medieval, preservando o conhecimento clássico e o direito romano.
No entanto, o cenário geopolítico do oriente sofreria uma transformação radical no século VII com o surgimento de uma nova fé: o Islã. Nascido na Península Arábica por meio das pregações do profeta Maomé (Muhammad), o islamismo rapidamente unificou as tribos árabes sob uma mesma crença e lançou-se em uma impressionante expansão territorial. Este movimento não apenas criou um novo império que se estendeu do Norte da África à Península Ibérica, como também desafiou a hegemonia do Império Bizantino e da própria cristandade.
A civilização árabe islâmica que emergiu deste processo foi muito mais que uma potência militar ela se tornou um dos mais importantes centros de conhecimento da Idade Média. Enquanto a Europa Ocidental vivia um período de ruralização e declínio cultural, os árabes absorveram e expandiram os saberes gregos, persas e hindus. Cidades como Bagdá, com sua famosa "Casa do Conhecimento", tornaram-se polos de ciência, filosofia e literatura. Suas contribuições para a matemática, astronomia, medicina e filosofia foram fundamentais, e foram eles que, mais tarde, devolveriam ao Ocidente, através da Península Ibérica, grande parte do conhecimento clássico que seria crucial para o Renascimento.
Em contraste com este dinamismo oriental, a Europa Ocidental desenvolvia, na mesma Alta Idade Média, o sistema feudal. Marcado pela descentralização do poder, pela ruralização da economia e por uma sociedade estamental, o feudalismo consolidou-se como a principal forma de organização social e política. A violência e a instabilidade geradas pelas invasões de novos povos, como os vikings e os próprios árabes no sul da Europa, contribuíram para o fortalecimento das relações de suserania e vassalagem, onde a posse da terra e a proteção militar, junto com o cristianismo cristão, eram os pilares da nova ordem social.
O novo mundo cristão medieval, no entanto, não era monolítico. As diferenças teológicas, políticas e culturais entre o ocidente latino, sob a autoridade do Papa de Roma, e o oriente grego, liderado pelo Patriarca de Constantinopla, vinham se acumulando há séculos. Este tenso relacionamento chegou ao seu ponto crítico em 1054, no evento conhecido como Cisma do Oriente ou Grande Cisma. Naquele ano, as lideranças das duas igrejas se excomungaram mutuamente, concretizando a ruptura definitiva entre a Igreja Católica Romana, no Ocidente, e a Igreja Ortodoxa, no Oriente. Este cisma, ocorrido na transição para a Baixa Idade Média, selou as fronteiras religiosas da Europa e definiu, por séculos, as relações entre as duas metades do antigo mundo cristão.

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